Sequência Rápida de Intubação: O Papel do Bougie

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Sobre a sequência rápida de intubação, a afirmação correta é:

Alternativas

  1. A) O uso do bougie como dispositivo de auxílio na IOT para determinar aumento na chance de sucesso da primeira tentativa.
  2. B) A pré-oxigenação é parte fundamental do procedimento e deve ser realizada por, no mínimo, 15 minutos.
  3. C) É possível realizar pré-oxigenação com máscara não-reinalante com fluxo de oxigênio a 15 Litros/minuto.
  4. D) A sequência rápida de intubação é caracterizada pela infusão EV de bloqueador neuromuscular seguido, imediatamente, pela infusão EV de hipnótico.

Pérola Clínica

Uso do bougie na IOT → ↑ Taxa de sucesso na primeira tentativa.

Resumo-Chave

A sequência rápida de intubação (SRI) utiliza a administração sequencial de um hipnótico e um bloqueador neuromuscular para facilitar a IOT, onde o uso do bougie tem se mostrado superior ao estilete rígido.

Contexto Educacional

A Sequência Rápida de Intubação (SRI) é o método padrão para o manejo da via aérea no ambiente de emergência e terapia intensiva. Ela visa minimizar o risco de aspiração do conteúdo gástrico e otimizar as condições de visualização da glote. O processo é dividido classicamente nos '7 Ps': Preparação, Pré-oxigenação, Pré-tratamento, Paralisia com indução, Posicionamento, Passagem do tubo e Pós-intubação. Evidências contemporâneas reforçam que a escolha de dispositivos auxiliares, como o bougie e a videolaringoscopia, reduz o número de tentativas de intubação, o que está diretamente ligado à redução de complicações como hipóxia, instabilidade hemodinâmica e parada cardiorrespiratória peri-procedimento. O domínio da técnica e o conhecimento farmacológico das drogas de indução são competências críticas para qualquer médico que atue em cenários de urgência.

Perguntas Frequentes

Quais as vantagens do uso do bougie na intubação de emergência?

O bougie (introdutor de tubo traqueal) é um dispositivo flexível e longo que facilita a intubação, especialmente em visualizações glóticas difíceis (Cormack-Lehane II ou III). Estudos recentes, como o ensaio BEAM, demonstraram que o uso do bougie como dispositivo de primeira linha aumenta significativamente a taxa de sucesso na primeira tentativa de intubação em comparação com o uso do tubo com estilete interno. Ele permite que o operador sinta os cliques traqueais (anéis da traqueia) ou a resistência ao atingir os brônquios (stop), confirmando o posicionamento correto antes da passagem do tubo orotraqueal.

Como deve ser realizada a pré-oxigenação na SRI?

A pré-oxigenação é a fase de 'denitrogenação' da capacidade residual funcional, visando estender o tempo de apneia segura. Deve ser realizada por cerca de 3 a 5 minutos com oxigênio a 100% ou através de 8 capacidades vitais (respirações profundas). O uso de máscara não-reinalante com fluxo de 15 L/min é uma técnica eficaz. Em pacientes hipoxêmicos, o uso de ventilação não invasiva (VNI) ou cânula nasal de alto fluxo pode ser necessário para garantir uma saturação de oxigênio adequada antes da indução, minimizando o risco de dessaturação crítica durante o procedimento.

Qual a ordem correta de administração das drogas na SRI?

Na sequência rápida de intubação, a administração das drogas deve ser feita de forma praticamente simultânea, mas sempre respeitando a ordem: primeiro o agente de indução (hipnótico, como etomidato ou cetamina) seguido imediatamente pelo bloqueador neuromuscular de ação rápida (succinilcolina ou rocurônio). O objetivo é que o paciente perca a consciência antes que a paralisia muscular se instale. Após a administração, não se deve realizar ventilação sob máscara (a menos que haja dessaturação), aguardando-se o tempo de latência das drogas (cerca de 45-60 segundos) para proceder à laringoscopia.

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