UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Sobre a sequência rápida de intubação, a afirmação correta é:
Uso do bougie na IOT → ↑ Taxa de sucesso na primeira tentativa.
A sequência rápida de intubação (SRI) utiliza a administração sequencial de um hipnótico e um bloqueador neuromuscular para facilitar a IOT, onde o uso do bougie tem se mostrado superior ao estilete rígido.
A Sequência Rápida de Intubação (SRI) é o método padrão para o manejo da via aérea no ambiente de emergência e terapia intensiva. Ela visa minimizar o risco de aspiração do conteúdo gástrico e otimizar as condições de visualização da glote. O processo é dividido classicamente nos '7 Ps': Preparação, Pré-oxigenação, Pré-tratamento, Paralisia com indução, Posicionamento, Passagem do tubo e Pós-intubação. Evidências contemporâneas reforçam que a escolha de dispositivos auxiliares, como o bougie e a videolaringoscopia, reduz o número de tentativas de intubação, o que está diretamente ligado à redução de complicações como hipóxia, instabilidade hemodinâmica e parada cardiorrespiratória peri-procedimento. O domínio da técnica e o conhecimento farmacológico das drogas de indução são competências críticas para qualquer médico que atue em cenários de urgência.
O bougie (introdutor de tubo traqueal) é um dispositivo flexível e longo que facilita a intubação, especialmente em visualizações glóticas difíceis (Cormack-Lehane II ou III). Estudos recentes, como o ensaio BEAM, demonstraram que o uso do bougie como dispositivo de primeira linha aumenta significativamente a taxa de sucesso na primeira tentativa de intubação em comparação com o uso do tubo com estilete interno. Ele permite que o operador sinta os cliques traqueais (anéis da traqueia) ou a resistência ao atingir os brônquios (stop), confirmando o posicionamento correto antes da passagem do tubo orotraqueal.
A pré-oxigenação é a fase de 'denitrogenação' da capacidade residual funcional, visando estender o tempo de apneia segura. Deve ser realizada por cerca de 3 a 5 minutos com oxigênio a 100% ou através de 8 capacidades vitais (respirações profundas). O uso de máscara não-reinalante com fluxo de 15 L/min é uma técnica eficaz. Em pacientes hipoxêmicos, o uso de ventilação não invasiva (VNI) ou cânula nasal de alto fluxo pode ser necessário para garantir uma saturação de oxigênio adequada antes da indução, minimizando o risco de dessaturação crítica durante o procedimento.
Na sequência rápida de intubação, a administração das drogas deve ser feita de forma praticamente simultânea, mas sempre respeitando a ordem: primeiro o agente de indução (hipnótico, como etomidato ou cetamina) seguido imediatamente pelo bloqueador neuromuscular de ação rápida (succinilcolina ou rocurônio). O objetivo é que o paciente perca a consciência antes que a paralisia muscular se instale. Após a administração, não se deve realizar ventilação sob máscara (a menos que haja dessaturação), aguardando-se o tempo de latência das drogas (cerca de 45-60 segundos) para proceder à laringoscopia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo