USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Homem de 43 anos com diagnóstico de sequela de tuberculose pulmonar em lobo superior direito comparece à consulta com queixas de escarros hemoptoicos, dispneia e dor torácica. A tomografia de tórax confirma a presença de cavitação e bronquiectasias em lobo superior direito. Os critérios de indicação de tratamento cirúrgico neste caso são:
Hemoptise + doença localizada → indicação cirúrgica em sequela de TB.
O tratamento cirúrgico em sequelas de tuberculose é indicado quando há complicações localizadas, como bronquiectasias ou cavitações, associadas a sintomas graves como hemoptise recorrente ou volumosa.
A tuberculose pulmonar pode deixar sequelas estruturais significativas, mesmo após a cura bacteriológica. As cavitações residuais e as bronquiectasias tornam-se sítios de colonização por fungos (como Aspergillus) ou bactérias piogênicas, levando a quadros de hemoptise e infecções de repetição. O manejo inicial é clínico, mas a persistência de sintomas graves em áreas localizadas do pulmão exige avaliação da cirurgia torácica. A decisão cirúrgica baseia-se no binômio: gravidade dos sintomas (especialmente hemoptise) e reserva funcional do paciente. A lobectomia é o procedimento mais comum, mas a presença de aderências pleurais densas e distorção hilar devido à fibrose torna essas cirurgias tecnicamente desafiadoras e com maior risco de complicações pós-operatórias.
As principais indicações cirúrgicas para sequelas de tuberculose incluem hemoptise maciça ou recorrente, infecções secundárias persistentes (como aspergilomas em cavidades), bronquiectasias localizadas sintomáticas e necessidade de excluir neoplasia em nódulos ou massas residuais. A cirurgia é considerada quando o tratamento clínico não controla as complicações e a função pulmonar permite a ressecção.
A localização da doença é crucial porque a cirurgia visa remover o foco gerador de sintomas (como o sangramento ou a supuração) preservando o máximo de parênquima funcional. Em doenças difusas, a ressecção de uma área não resolve o problema global e frequentemente o paciente não possui reserva funcional respiratória para tolerar o procedimento, aumentando drasticamente a morbimortalidade.
A tomografia de tórax é essencial para mapear a extensão das lesões, identificar cavitações, bronquiectasias e a proximidade com grandes vasos. Ela ajuda a definir se a doença é passível de ressecção (lobectomia ou segmentectomia) e a avaliar a presença de sinais sugestivos de complicações, como o sinal do crescente em aspergilomas intracavitários.
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