Indicações Cirúrgicas na Sequela de Tuberculose Pulmonar

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 43 anos com diagnóstico de sequela de tuberculose pulmonar em lobo superior direito comparece à consulta com queixas de escarros hemoptoicos, dispneia e dor torácica. A tomografia de tórax confirma a presença de cavitação e bronquiectasias em lobo superior direito. Os critérios de indicação de tratamento cirúrgico neste caso são:

Alternativas

  1. A) Dispneia e doença difusa.
  2. B) Dor torácica e doença difusa.
  3. C) Dispneia e doença localizada.
  4. D) Escarros hemoptoicos e doença localizada.

Pérola Clínica

Hemoptise + doença localizada → indicação cirúrgica em sequela de TB.

Resumo-Chave

O tratamento cirúrgico em sequelas de tuberculose é indicado quando há complicações localizadas, como bronquiectasias ou cavitações, associadas a sintomas graves como hemoptise recorrente ou volumosa.

Contexto Educacional

A tuberculose pulmonar pode deixar sequelas estruturais significativas, mesmo após a cura bacteriológica. As cavitações residuais e as bronquiectasias tornam-se sítios de colonização por fungos (como Aspergillus) ou bactérias piogênicas, levando a quadros de hemoptise e infecções de repetição. O manejo inicial é clínico, mas a persistência de sintomas graves em áreas localizadas do pulmão exige avaliação da cirurgia torácica. A decisão cirúrgica baseia-se no binômio: gravidade dos sintomas (especialmente hemoptise) e reserva funcional do paciente. A lobectomia é o procedimento mais comum, mas a presença de aderências pleurais densas e distorção hilar devido à fibrose torna essas cirurgias tecnicamente desafiadoras e com maior risco de complicações pós-operatórias.

Perguntas Frequentes

Quais as principais indicações cirúrgicas na TB?

As principais indicações cirúrgicas para sequelas de tuberculose incluem hemoptise maciça ou recorrente, infecções secundárias persistentes (como aspergilomas em cavidades), bronquiectasias localizadas sintomáticas e necessidade de excluir neoplasia em nódulos ou massas residuais. A cirurgia é considerada quando o tratamento clínico não controla as complicações e a função pulmonar permite a ressecção.

Por que a doença deve ser localizada para a cirurgia?

A localização da doença é crucial porque a cirurgia visa remover o foco gerador de sintomas (como o sangramento ou a supuração) preservando o máximo de parênquima funcional. Em doenças difusas, a ressecção de uma área não resolve o problema global e frequentemente o paciente não possui reserva funcional respiratória para tolerar o procedimento, aumentando drasticamente a morbimortalidade.

Qual o papel da tomografia no planejamento cirúrgico?

A tomografia de tórax é essencial para mapear a extensão das lesões, identificar cavitações, bronquiectasias e a proximidade com grandes vasos. Ela ajuda a definir se a doença é passível de ressecção (lobectomia ou segmentectomia) e a avaliar a presença de sinais sugestivos de complicações, como o sinal do crescente em aspergilomas intracavitários.

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