Sequela de Cardite Reumática: Diagnóstico e Sinais Chave

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015

Enunciado

Menina de 10 anos é levada a um pronto atendimento por ter apresentado uma torção de tornozelo jogando “handball”. Durante o exame físico você diagnostica um sopro sistólico rude em foco mitral 3+, com irradiação para região axilar esquerda, ictus discretamente desviado para a esquerda e para baixo, sem sinais de descompensação cardíaca e com o restante do exame físico normal, exceto pelo edema de tornozelo. Criança fez seguimento regular com o mesmo pediatra até os quatro anos de idade, e não há antecedentes mórbidos importantes exceto pelo fato de apresentar amigdalites de repetição e, por praticar atividade física regular, muitas vezes apresentou dores articulares que melhoraram espontaneamente. O hemograma é normal e as provas de atividade inflamatórias também. Assinale a hipótese diagnóstica mais provável:

Alternativas

  1. A) Endocardite infecciosa.
  2. B) Insuficiência mitral congênita.
  3. C) Comunicação interventricular.
  4. D) Sequela de cardite reumática.
  5. E) Prolapso de válvula mitral.

Pérola Clínica

História de amigdalites de repetição + dores articulares + sopro mitral com ictus desviado → Sequela de Cardite Reumática.

Resumo-Chave

O quadro clínico da menina, com histórico de amigdalites de repetição e dores articulares, associado a um sopro sistólico rude em foco mitral com irradiação para a axila e ictus desviado, é altamente sugestivo de sequela de cardite reumática, que é a manifestação cardíaca crônica da febre reumática, resultando em valvulopatia, mais comumente insuficiência mitral.

Contexto Educacional

A sequela de cardite reumática é a manifestação crônica da febre reumática, uma doença inflamatória sistêmica que ocorre como complicação tardia de uma faringoamigdalite causada pelo Streptococcus pyogenes. Apesar de ser mais rara em países desenvolvidos, ainda representa um problema de saúde pública significativo em regiões com acesso limitado a cuidados de saúde, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças e jovens adultos globalmente. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune, onde anticorpos produzidos contra o estreptococo reagem de forma cruzada com tecidos do próprio corpo, incluindo o coração, articulações, cérebro e pele. A cardite é a manifestação mais grave, levando a danos valvulares permanentes, sendo a válvula mitral a mais frequentemente afetada, seguida pela aórtica. A insuficiência mitral é caracterizada por um sopro sistólico rude, que irradia para a axila esquerda, e pode levar a cardiomegalia com desvio do ictus. O diagnóstico é baseado nos Critérios de Jones, que combinam evidências de infecção estreptocócica prévia com manifestações clínicas maiores (cardite, poliartrite, coreia, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de VHS/PCR, prolongamento do PR). O caso apresentado, com histórico de amigdalites de repetição e dores articulares, somado aos achados de sopro mitral com ictus desviado, aponta fortemente para uma sequela de cardite reumática. O tratamento visa prevenir novas recorrências da febre reumática com profilaxia antibiótica secundária e manejar as complicações cardíacas, que podem exigir cirurgia valvular.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas que sugerem sequela de cardite reumática?

Sinais e sintomas incluem histórico de amigdalites de repetição (faringoamigdalite estreptocócica), dores articulares migratórias, e achados cardíacos como sopros valvulares (especialmente insuficiência mitral ou estenose), cardiomegalia (ictus desviado) e, em casos mais avançados, sinais de insuficiência cardíaca.

Como a febre reumática leva à insuficiência mitral?

A febre reumática é uma doença inflamatória autoimune que pode afetar o coração, causando cardite. A inflamação crônica das válvulas cardíacas, especialmente a mitral, leva a espessamento, retração e fusão das cúspides e cordoalhas, resultando em insuficiência (incapacidade de fechar completamente) ou estenose (estreitamento).

Qual a importância do histórico de amigdalites de repetição no diagnóstico?

O histórico de amigdalites de repetição é crucial porque a febre reumática é uma complicação não supurativa de infecções de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). A ausência de tratamento adequado dessas infecções pode levar à resposta autoimune que danifica o coração.

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