HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025
Mulher, de 29 anos de idade, sem comorbidades prévias, está em seguimento ambulatorial há 3 anos tentando engravidar. Sofreu previamente 3 abortos consecutivos, todos no primeiro trimestre. Foi realizada uma curetagem somente após o terceiro abortamento, sendo os demais abortos completos, sem necessidade de esvaziamento uterino. O exame físico estava normal durante a consulta. Durante a investigação, constatou-se que a pesquisa de trombofilias era negativa e o cariótipo do casal era normal. Foi realizada uma ressonância magnética de pelve, que pode ser vista na imagem abaixo: Qual é o diagnóstico e a conduta que deve ser adotada?
Abortamento de repetição no 1º trimestre + RM pélvica com contorno fúndico uterino convexo/plano = Septo uterino, com indicação de metroplastia histeroscópica.
O septo uterino é a anomalia mülleriana mais comum e a que mais se associa a perdas gestacionais recorrentes. A ressecção do septo por metroplastia histeroscópica é um procedimento minimamente invasivo que melhora significativamente os desfechos reprodutivos.
O abortamento de repetição, definido como a ocorrência de três ou mais perdas gestacionais consecutivas antes de 20 semanas, requer uma investigação aprofundada de suas possíveis causas, que incluem fatores genéticos, endócrinos, trombofílicos e anatômicos. Dentre as causas anatômicas, as anomalias müllerianas congênitas são de grande importância, e o septo uterino é a mais comum delas. O septo uterino resulta de uma falha na reabsorção do septo medial após a fusão dos ductos de Müller durante o desenvolvimento embrionário. Isso cria uma cavidade uterina dividida por um tecido fibrovascularizado. Acredita-se que a vascularização deficiente do septo prejudique a implantação e o desenvolvimento placentário, levando a um maior risco de aborto, parto prematuro e apresentação fetal anômala. O diagnóstico diferencial com o útero bicorno é crucial e é feito pela avaliação do contorno fúndico externo, que é normal (convexo ou plano) no útero septado. O tratamento para o septo uterino em pacientes com histórico de perdas gestacionais é a metroplastia histeroscópica. Este procedimento minimamente invasivo consiste na ressecção do septo por via transcervical, unificando a cavidade uterina. A cirurgia tem demonstrado reduzir significativamente as taxas de aborto e melhorar as taxas de nascidos vivos, sendo um passo fundamental no manejo de mulheres com esta condição.
O septo é um tecido fibroso com vascularização inadequada. Quando o embrião se implanta no septo, o suprimento sanguíneo é insuficiente para o desenvolvimento placentário adequado, o que frequentemente leva à perda gestacional precoce, tipicamente no primeiro trimestre.
A metroplastia histeroscópica é o padrão-ouro. Utilizando um histeroscópio inserido através do colo uterino, o septo é ressecado com energia elétrica ou laser, restaurando uma cavidade uterina única. É um procedimento minimamente invasivo, com rápida recuperação e excelentes resultados.
A ultrassonografia transvaginal tridimensional (USG 3D) é um excelente método de triagem e diagnóstico. A ressonância magnética da pelve é considerada o padrão-ouro para diferenciar o septo uterino de outras anomalias, como o útero bicorno, pois avalia com precisão tanto a cavidade interna quanto o contorno fúndico externo.
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