Sepse: Diagnóstico e Critérios da Definição Sepsis-3

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Um paciente com 30 anos de idade, internado na Unidade de Terapia Intensiva com diagnóstico de abscesso renal, intubado e em ventilação mecânica, apresentou, na admissão, os seguintes sinais vitais: PA = 90 x 40 mmHg, febre de 39 °C, FC = 114 bpm, FR = 23 irpm, Escala de Ramsay de 5, PaO₂/FiO₂ de 350. Após ressuscitação volêmica com cristaloides, apresentou melhora do quadro hemodinâmico (PA = 110 x 70 mmHg). Exames laboratoriais mostraram os seguintes resultados: bílirrubina total = 1,1 mg/dL (valor de referência: 0,8 a 1,2 mg/dL), creatinina = 1,9 mg/dL (valor de referência: 0,8 a 1,2 mg/dL) e lactato = 2,2 mmol/L (valor de referência: < 2 mmol/L). A definição atual do quadro clínico desse paciente é

Alternativas

  1. A) Sepse.
  2. B) Sepse Grave.
  3. C) Choque Séptico.
  4. D) Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica.

Pérola Clínica

Sepse = infecção + disfunção orgânica (aumento SOFA ≥ 2).

Resumo-Chave

O paciente tem uma infecção (abscesso renal) e apresenta disfunção orgânica, evidenciada pela creatinina elevada (lesão renal aguda) e lactato elevado. Isso preenche os critérios para sepse segundo a definição Sepsis-3 (aumento de 2 ou mais pontos no SOFA score). Não é choque séptico, pois a hipotensão melhorou com fluidos.

Contexto Educacional

A sepse é uma síndrome complexa e grave, definida como uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. A terceira definição de sepse (Sepsis-3), publicada em 2016, simplificou os critérios diagnósticos, focando na presença de infecção confirmada ou suspeita e um aumento agudo de 2 ou mais pontos no SOFA score (Sequential Organ Failure Assessment). Essa abordagem visa identificar pacientes com maior risco de mortalidade. No caso apresentado, o paciente possui uma infecção (abscesso renal) e apresenta disfunção orgânica. A creatinina de 1,9 mg/dL (VR: 0,8-1,2 mg/dL) indica lesão renal aguda, e o lactato de 2,2 mmol/L (VR: < 2 mmol/L) sugere hipoperfusão tecidual. Esses achados, em conjunto com a infecção, preenchem os critérios para sepse. A melhora da hipotensão após ressuscitação volêmica é crucial, pois impede a classificação como choque séptico, que exigiria hipotensão persistente apesar da reposição volêmica e necessidade de vasopressores. A distinção entre sepse e choque séptico é vital para o manejo e prognóstico. O choque séptico representa um estágio mais avançado e grave, com maior mortalidade. Para residentes, a compreensão dos critérios Sepsis-3 e a capacidade de aplicá-los clinicamente são essenciais para o reconhecimento precoce e a implementação das medidas de tratamento que salvam vidas, como a administração de antibióticos de amplo espectro e a ressuscitação volêmica inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios atuais para o diagnóstico de sepse (Sepsis-3)?

A sepse é definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. Clinicamente, é identificada por um aumento agudo de 2 ou mais pontos no SOFA score (Sequential Organ Failure Assessment) devido à infecção.

Como diferenciar sepse de choque séptico?

O choque séptico é um subconjunto da sepse onde as anormalidades circulatórias e metabólicas são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade. É definido por sepse mais hipotensão persistente que requer vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg E lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.

Quais parâmetros laboratoriais e clínicos indicam disfunção orgânica na sepse?

A disfunção orgânica é avaliada pelo SOFA score, que inclui parâmetros como PaO₂/FiO₂ (respiratório), plaquetas (coagulação), bilirrubina (hepático), creatinina e débito urinário (renal), PAM e uso de vasopressores (cardiovascular), e Escala de Coma de Glasgow (neurológico). Lactato elevado (> 2 mmol/L) é um importante marcador de hipoperfusão tecidual.

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