UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020
MCS, 24 anos, G3P3, parto transpélvico há 12 dias, comparece ao pronto atendimento com queixa de mal-estar, sonolência e febre, de início há 3 dias e com piora hoje. Apresenta regular estado geral, escala de coma de Glasgow:15, PA: 86/46 mmHg, FC:104 bpm, FR:24, T: 39,6º C. Ao exame segmentar, apresenta ausculta torácica e precordial sem alterações exceto taquicardia, mamas com apojadura, saída de leite à expressão, mamilos sem fissuras, abdome flácido, dor moderada à palpação de andar inferior, sem dor à descompressão, útero palpável 4 cm abaixo da cicatriz umbilical. Exame especular apresenta sangramento escurecido moderado, ativo pelo orifício cervical externo, com odor fétido. Ao toque vaginal, dor à mobilização de colo. Membros inferiores com edema +/IV, simétrico, bilateral, com panturrilhas livres. Tendo como base o diagnóstico de sepse no ciclo gravídico-puerperal para esse caso, assinale a alternativa correta.
Puerpéria com febre, hipotensão, taquicardia, sangramento fétido e dor à mobilização de colo → sepse puerperal de origem endometrial. Iniciar ATB empírico e suporte intensivo.
A paciente apresenta sinais de sepse (febre, hipotensão, taquicardia, taquipneia, sonolência) no puerpério, com foco infeccioso provável no endométrio (sangramento fétido, dor à mobilização de colo). A conduta imediata é restaurar o volume circulatório, garantir oxigenação e iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro, sem aguardar resultados de culturas.
A sepse puerperal é uma infecção grave que ocorre no período pós-parto, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. É definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção durante a gravidez, parto ou puerpério. A endometrite pós-parto é a causa mais comum de sepse puerperal, mas outras fontes incluem infecção de ferida operatória, mastite, pielonefrite ou pneumonia. A fisiopatologia envolve a invasão de microrganismos (frequentemente polimicrobianos, incluindo bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbios) no trato genital, levando a uma resposta inflamatória sistêmica desregulada. Os sinais e sintomas incluem febre, taquicardia, hipotensão, taquipneia, alterações do estado mental e sinais localizados de infecção, como sangramento vaginal fétido e dor à mobilização do colo uterino. A presença de disfunção orgânica (ex: hipotensão, oligúria, hipoxemia, alteração do nível de consciência) caracteriza a sepse grave ou choque séptico. O manejo da sepse puerperal é uma emergência e deve ser agressivo e imediato. Inclui a restauração do volume circulatório com fluidos intravenosos, suporte de oxigenação, coleta de culturas antes do início dos antibióticos e administração precoce de antibioticoterapia empírica de amplo espectro (geralmente cobrindo bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbios). O controle da fonte da infecção (ex: curetagem em caso de restos placentários infectados) também é fundamental. A paciente deve ser monitorizada em ambiente de terapia intensiva para otimização do suporte e manejo de disfunções orgânicas.
Os principais sinais e sintomas de sepse puerperal incluem febre persistente (>38°C), taquicardia, taquipneia, hipotensão, calafrios, mal-estar geral, dor abdominal ou pélvica, sangramento vaginal com odor fétido e alterações do estado mental, como sonolência ou confusão.
A conduta inicial para sepse puerperal é uma emergência e deve seguir o protocolo de sepse: estabilização hemodinâmica com restauração do volume circulatório (fluidos intravenosos), suporte de oxigenação, coleta de culturas (hemocultura, urocultura, cultura de secreção vaginal/endometrial) e início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, preferencialmente em ambiente de terapia intensiva.
A sepse puerperal é uma emergência médica devido ao seu potencial de rápida progressão para choque séptico, falência de múltiplos órgãos e morte materna. O atraso no diagnóstico e no início do tratamento aumenta significativamente a morbidade e mortalidade, tornando a intervenção precoce crucial para o prognóstico.
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