Sepse Pós-Esplenectomia: Patógenos e Tratamento de Emergência

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 48 anos de idade apresenta uma história de esplenectomia após traumatismo ocorrido aos 23 anos. Recebeu as vacinas apropriadas imediatamente após o traumatismo, porém não teve nenhum acompanhamento médico durante mais de 10 anos. É uma pessoa em situação de rua. Procura o serviço de emergência com febre de 39,1ºC, pressão arterial (PA) de 70x40 mmHg, frequência cardíaca (FC) de 130 bpm, frequência respiratória (FR) de 30 incursões/min e saturação de oxigênio de 95% no ar ambiente. O paciente descrito desenvolve subsequentemente falência múltipla de órgãos em consequência de sepse devastadora e morre, apesar do tratamento clínico adequado. Qual principal esquema antibiótico indicado e o principal germe envolvido no quadro?

Alternativas

  1. A) Ceftriaxona e vancomicina; S. pneumoniae.
  2. B) Ceftriaxona, ampicilina e vancomicina; Escherichia coli.
  3. C) Ceftriaxona, vancomicina e anfotericina B; Borrelia burgdorferi.
  4. D) Clindamicina, gentamicina e vancomicina; N. meningitidis.
  5. E) Clindamicina e quinina; P. aeruginosa.

Pérola Clínica

Asplenia + Febre + Choque = Sepse por Encapsulados (Pneumococo #1) → Ceftriaxona + Vancomicina.

Resumo-Chave

Pacientes esplenectomizados têm risco vital de sepse fulminante por bactérias encapsuladas. O tratamento deve ser imediato e cobrir pneumococo resistente.

Contexto Educacional

A sepse fulminante pós-esplenectomia (OPSI) é uma emergência médica com taxa de mortalidade que pode exceder 50%. A progressão do início dos sintomas (febre, calafrios, mialgia) para o choque séptico e coagulação intravascular disseminada (CIVD) pode ocorrer em poucas horas. A ausência de filtração esplênica permite uma bacteremia de alta densidade, sobrecarregando os mecanismos de defesa sistêmicos. O manejo clínico exige reconhecimento imediato da condição de asplenia e início de antibioticoterapia de amplo espectro na 'hora de ouro'. A escolha de Ceftriaxona e Vancomicina visa cobrir os principais patógenos encapsulados, considerando a resistência bacteriana. Além do suporte hemodinâmico agressivo, deve-se atentar para a prevenção, garantindo que pacientes esplenectomizados recebam orientações claras sobre o risco de infecções e mantenham o calendário vacinal rigorosamente atualizado.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes esplenectomizados são vulneráveis a bactérias encapsuladas?

O baço desempenha um papel crucial na imunidade humoral e celular. Ele é o principal local de fagocitose de bactérias opsonizadas e produção de anticorpos (IgM) e opsoninas (tuftsina e properdina). Sem o baço, o corpo perde a capacidade de filtrar e destruir microrganismos encapsulados, como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b, que possuem cápsulas polissacarídicas que impedem a fagocitose direta.

Qual o agente mais comum na OPSI e por que usar Vancomicina?

O Streptococcus pneumoniae é responsável por até 50-90% dos casos de Overwhelming Post-Splenectomy Infection (OPSI). Devido ao aumento global da resistência do pneumococo às cefalosporinas de terceira geração, a associação de Vancomicina à Ceftriaxona é recomendada no tratamento empírico inicial de pacientes com sepse grave ou choque séptico, garantindo cobertura contra cepas com sensibilidade reduzida.

Quais as medidas preventivas essenciais para pacientes sem baço?

A prevenção baseia-se em três pilares: educação do paciente (procurar emergência a qualquer sinal de febre), imunização e, em casos selecionados, antibioticoprofilaxia. As vacinas essenciais incluem a antipneumocócica (PCV13 e PPSV23), antimeningocócica (ACWY e B) e anti-Haemophilus influenzae tipo b. Reforços periódicos são necessários, pois a imunidade pode declinar com o tempo, como visto no caso clínico onde o paciente estava há 10 anos sem acompanhamento.

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