TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Uma mulher de 51 anos é trazida ao pronto-socorro com história de febre alta (39,5 a 40°C) contínua há mais de 96 horas, acompanhada de tosse produtiva e queda de estado geral. Há 24 horas, tornou-se dispneica e ao longo da internação nas últimas horas sua escala de coma de Glasgow que era de 15, caiu para 12 pontos. Sinais vitais: Tax = 39,8°C, FR = 33 irpm e FC = 118 bpm. Possui estertores crepitantes na metade inferior do hemitórax direito e no terço inferior do hemitórax esquerdo. Na ausculta cardíaca as bulhas são normofonéticas e rítmicas. A paciente possui um ferimento na região dorsal do pé direito, drenando material purulento em grande quantidade, e lesões bolhosas nos membros inferiores. A provável hipótese diagnóstica e as principais medidas terapêuticas iniciais são, respectivamente:
Sepse de foco cutâneo + bolhas/abscesso → Pensar em S. aureus → Oxacilina + Debridamento.
A sepse estafilocócica frequentemente se origina de focos cutâneos e requer abordagem agressiva com antibioticoterapia e controle de fonte (debridamento).
A sepse é uma emergência médica definida como disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. No cenário de um ferimento cutâneo purulento com sinais de SIRS (febre, taquicardia, taquipneia) e alteração do nível de consciência (Glasgow 12), o diagnóstico de sepse é mandatório. O Staphylococcus aureus é um patógeno virulento capaz de causar bacteremia e focos secundários (como pneumonia, sugerida pelos estertores crepitantes). O tratamento deve ser iniciado na 'hora de ouro', incluindo estabilização hemodinâmica, coleta de culturas, antibioticoterapia de amplo espectro (ou direcionada se o foco for claro, como a oxacilina para MSSA) e intervenção cirúrgica no foco infeccioso.
O S. aureus é o principal patógeno associado a infecções cutâneas purulentas, abscessos e ferimentos infectados que evoluem para sepse. A presença de material purulento e lesões bolhosas reforça essa etiologia, diferenciando-a de infecções por estreptococos, que tendem a ser mais superficiais e não purulentas (como a erisipela clássica).
O controle do foco (source control) é um pilar fundamental no tratamento da sepse. Em casos de ferimentos infectados com drenagem purulenta ou tecidos necróticos, o antibiótico sozinho não consegue penetrar adequadamente no foco, sendo necessário o debridamento cirúrgico para remover a carga bacteriana e o tecido desvitalizado.
Em ferimentos considerados de alto risco (sujos, profundos ou infectados), a conduta depende do histórico vacinal. Se o paciente tem vacinação incerta ou incompleta, deve-se aplicar a vacina e o soro (ou imunoglobulina). Se vacinado há mais de 5 anos, uma dose de reforço é indicada.
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