Sepse Pediátrica e Choque Séptico: Diagnóstico e Manejo Urgente

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021

Enunciado

Lactente, 18 meses, sexo feminino, deu entrada no serviço de emergência com quadro de febre há 48 horas, constante, de 38-38,5ºC, não cede a antitérmicos. Mãe percebeu dor abdominal difusa, prostação, baixa ingesta, nega tosse, nega alterações de pele. Ao exame físico encontra-se desidratada, prostada, saliva espessa, frequência cardíaca de 136 bpm (batimentos por minuto), frequência respiratória de 22 irm (incursões respiratórias por minuto), PA (pressão arterial de 80/46 mmHG, pulsos finos. Coletado exames. Apresenta hemoglobina de 8,5g/dL, hematócrito de 30%. PCR: 90 (proteína C reativa). Exame simples de urina coletado por sonda vesical de alívio com leucocitose, hematúria, nitrito positivo. Qual o diagnóstico e a conduta?

Alternativas

  1. A) Infecção do trato urinário, antibiótico oral e observação domiciliar.
  2. B) Sepse, coleta de culturas e antibiótico venoso, observação por 24 horas.
  3. C) Infecção do trato urinário, sepse, hidratação venosa e antibiótico, internação hospitalar.
  4. D) Infecção do trato urinário, sepse, expansão volumétrica, coleta de culturas e iniciar antibiótico de amplo expectro, internação hospitalar.

Pérola Clínica

Lactente com febre, prostração, sinais de hipoperfusão (PA baixa, pulsos finos) e ITU → Sepse/Choque Séptico. Conduta: expansão volêmica, culturas, ATB amplo espectro, internação.

Resumo-Chave

O lactente apresenta sinais de infecção (ITU com nitrito positivo, leucocitose) e disfunção orgânica (prostração, desidratação, taquicardia, hipotensão, pulsos finos, PCR elevada), configurando um quadro de sepse com choque séptico. A conduta inicial é agressiva, com expansão volêmica, coleta de culturas e início imediato de antibiótico de amplo espectro, seguido de internação hospitalar.

Contexto Educacional

A sepse pediátrica é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. É uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente lactentes, onde o reconhecimento precoce e a intervenção imediata são cruciais para melhorar o prognóstico. A epidemiologia mostra que infecções bacterianas são as causas mais comuns, com a infecção do trato urinário (ITU) sendo um foco frequente em crianças pequenas. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica descontrolada que leva a disfunção endotelial, má perfusão tecidual e falência de múltiplos órgãos. No caso apresentado, a ITU (leucocitose, hematúria, nitrito positivo) é o foco infeccioso provável. Os sinais de choque (taquicardia, hipotensão, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado) indicam hipoperfusão sistêmica, necessitando de intervenção imediata para restaurar a perfusão. O tratamento da sepse e do choque séptico em pediatria segue o protocolo 'Golden Hour': estabilização hemodinâmica com expansão volêmica agressiva, coleta de culturas antes do início dos antibióticos, e administração de antibióticos de amplo espectro nas primeiras horas. A internação hospitalar em unidade de terapia intensiva é frequentemente necessária para monitoramento contínuo, suporte avançado de órgãos e ajuste da terapia conforme a resposta clínica e os resultados das culturas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para sepse em lactentes?

Sinais de alerta incluem febre persistente, prostração, irritabilidade, taquicardia, taquipneia, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão (sinal tardio), pulsos finos, má perfusão periférica e alterações do estado mental. A avaliação rápida desses sinais é crucial.

Qual a conduta inicial para um lactente com suspeita de choque séptico?

A conduta inicial é agressiva e inclui estabilização das vias aéreas e respiração, acesso venoso, expansão volêmica rápida com cristaloides (20 mL/kg em bolus, repetível), coleta de culturas (sangue, urina, LCR se indicado) e início imediato de antibióticos de amplo espectro, tudo dentro da primeira hora.

Por que a infecção do trato urinário pode levar à sepse em lactentes?

Em lactentes, a infecção do trato urinário (ITU), especialmente a pielonefrite, pode facilmente progredir para sepse devido à imaturidade do sistema imunológico, à maior propensão à bacteremia e à dificuldade de localização do foco infeccioso. A E.coli é o principal agente etiológico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo