Sepse Pediátrica com Petéquias: Manejo de Urgência

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021

Enunciado

Criança de 3 anos, sexo feminino, dá entrada no serviço de urgência, com história de febre e vômitos há 24 horas. Exame físico: Estado geral regular, hipocorada (2+/4+), febril, eupneica, mucosa oral seca, olhos encovados, consciente, porém sonolenta. Auscultas cardíaca e respiratória normais. FC: 120 bpm. FR: 36 ipm. Pulsos finos, tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Abdome: plano, flácido, indolor, sem visceromegalias. SN: rigidez de nuca presente, pupilas isocóricas e fotorreagentes, fundo de olho normal, escala de coma de Glasgow de 14. Pele: petéquias em membros inferiores. Qual a conduta mais adequada dentre as alternativas abaixo citadas?

Alternativas

  1. A) Expansão de 20 mL/Kg com SF 0,9% por via endovenosa, coletar líquor e hemocultura e iniciar antibioticoterapia empírica.
  2. B) Expansão de 20 mL/Kg com SF 0,9% por via endovenosa, coletar líquor e hemocultura e aguardar resultado do líquor para definir início de antibioticoterapia.
  3. C) Expansão de 20 mL/Kg com SF 0,9% por via endovenosa, coletar hemocultura, iniciar antibioticoterapia empírica, realizar tomografia computadorizada de crânio de urgência para definir coleta de líquor.
  4. D) Hidratação venosa com soro de manutenção, coletar líquor e hemocultura e iniciar antibioticoterapia empírica.
  5. E) Hidratação venosa com soro de manutenção, coletar líquor e hemocultura e aguardar resultado do líquor para definir início de antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Criança febril + petéquias + rigidez de nuca + choque (TEC 4s) → Sepse/Meningococcemia. Prioridade: fluidos, ATB empírico, culturas (incluindo líquor).

Resumo-Chave

Crianças com febre, petéquias, sinais de choque (TEC prolongado) e rigidez de nuca têm alta suspeita de sepse grave/meningococcemia. A conduta inicial é agressiva: estabilização hemodinâmica com fluidos, coleta de culturas (hemocultura e líquor, se não houver contraindicação) e início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro.

Contexto Educacional

A sepse pediátrica, especialmente quando associada a petéquias e rigidez de nuca, deve levantar a forte suspeita de meningococcemia ou outra sepse bacteriana grave com meningite. Esta é uma emergência médica que exige reconhecimento e intervenção imediatos devido à sua alta morbimortalidade e potencial de sequelas neurológicas graves. O quadro clínico de febre, vômitos, desidratação, sonolência, petéquias, rigidez de nuca e sinais de choque (pulsos finos, TEC prolongado) é altamente sugestivo. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada à infecção, levando a disfunção orgânica e choque, com rápida progressão se não tratada. A conduta inicial é crucial e deve seguir o protocolo de sepse: estabilização hemodinâmica com expansão volêmica rápida (SF 0,9% 20 mL/Kg em bolus), coleta de hemoculturas e, se não houver contraindicações (como sinais de herniação cerebral), punção lombar para coleta de líquor. Imediatamente após as culturas, deve-se iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro (ex: Ceftriaxona ou Cefotaxima + Vancomicina, dependendo da epidemiologia local) sem aguardar resultados, pois o tempo é fator determinante no prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para sepse grave em crianças?

Sinais de alerta incluem febre persistente, letargia, irritabilidade, taquicardia, taquipneia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), hipotensão (em fases avançadas), petéquias ou púrpura, e alteração do nível de consciência.

Por que a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente em casos de suspeita de sepse/meningite?

O atraso na administração de antibióticos em casos de sepse e meningite bacteriana aumenta significativamente a morbimortalidade. A terapia empírica de amplo espectro deve ser iniciada após a coleta de culturas, sem aguardar resultados, para otimizar o prognóstico.

Quando a tomografia computadorizada de crânio é indicada antes da punção lombar em crianças com suspeita de meningite?

A TC de crânio é indicada antes da punção lombar se houver sinais de hipertensão intracraniana (papiledema, bradicardia, hipertensão), déficits neurológicos focais, convulsões recentes, rebaixamento grave do nível de consciência ou imunocomprometimento. Na ausência desses, a PL não deve ser atrasada.

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