AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020
Menina de 6 anos, hígida, vacinas em dia. Veio por prostração e febre (39ºC) há 12 horas. Dor nas pernas há 48 horas e um episódio de vômito. Ao exame hipoativa mas responsiva, hipocorada, FC 178 e FR 45. Na pele lesões escuras, vários tamanhos, não desaparecem à digitopressão. Tempo de enchimento capilar de 4 segundos, saturando 90% em ar ambiente. Mãe notou as lesões há uma hora e estão aumentando em número. Frequenta escola em meio período. Analise as alternativas abaixo sobre este caso. I - É fundamental colher o líquor para confirmação diagnóstica. II - O uso de corticosteroides não está indicado. III - Não há necessidade de profilaxia para os contactantes da escola. IV - A paciente deve ser imediatamente intubada e colocada em ventilação mecânica. Estão corretas apenas as alternativas
Sepse grave pediátrica com púrpura (meningococcemia) → estabilizar antes de punção lombar; corticoide NÃO indicado; profilaxia escolar NÃO.
O caso descreve um quadro de sepse grave/choque séptico em criança, provavelmente meningococcemia, com sinais de má perfusão e lesões purpúricas. A prioridade é a estabilização hemodinâmica e antibioticoterapia, não a punção lombar imediata. Corticosteroides não são rotineiramente indicados na sepse sem insuficiência adrenal.
O caso clínico descreve uma criança com sinais de sepse grave e choque séptico, provavelmente de etiologia meningocócica, dada a presença de febre, prostração, taquicardia, taquipneia, tempo de enchimento capilar prolongado e lesões purpúricas que não desaparecem à digitopressão (púrpura fulminans). Este é um quadro de emergência médica que exige reconhecimento e intervenção imediatos. A prioridade no manejo é a estabilização do paciente, incluindo suporte hemodinâmico com fluidos e vasopressores, e antibioticoterapia empírica de largo espectro. A punção lombar para confirmação diagnóstica (alternativa I) é importante, mas não é a primeira prioridade em um paciente instável com choque séptico, pois pode atrasar o tratamento vital e aumentar riscos. Corticosteroides (alternativa II) não são rotineiramente indicados na sepse pediátrica, exceto em situações específicas como insuficiência adrenal ou choque refratário, conforme as diretrizes atuais. A profilaxia para contactantes da escola (alternativa III) não é necessária, pois a transmissão da meningococcemia ocorre por contato próximo e prolongado com secreções respiratórias, geralmente restrito ao ambiente domiciliar ou creches. Contactantes casuais na escola não se enquadram nos critérios de profilaxia. A intubação e ventilação mecânica (alternativa IV) são indicadas se houver falência respiratória iminente ou persistente, ou rebaixamento do nível de consciência que comprometa a via aérea, o que é plausível neste caso de choque grave, mas não é a única medida imediata e deve ser avaliada após a estabilização inicial. Portanto, as alternativas II e III estão corretas.
Sinais de alerta incluem febre alta, prostração, taquicardia, taquipneia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), lesões purpúricas, hipotensão (sinal tardio) e alteração do nível de consciência.
A punção lombar é fundamental para o diagnóstico etiológico, mas deve ser adiada se houver instabilidade hemodinâmica, sinais de herniação cerebral, coagulopatia grave ou lesões cutâneas extensas no local da punção. A estabilização do paciente é prioritária.
O uso rotineiro de corticosteroides sistêmicos não é recomendado na sepse pediátrica, exceto em casos de choque refratário a fluidos e vasopressores, onde se suspeita de insuficiência adrenal, ou em condições específicas como meningite bacteriana com edema cerebral.
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