Sepse Pediátrica: Reconhecimento e Sinais de Alerta

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025

Enunciado

Maria, 10 anos de idade, com história de febre há 5 dias, evoluindo há 24 horas com piora clínica, dispneia, do ventilatório dependente, sonolência, tosse produtiva. Ao exame físico: sonolenta, pálida, dispneica, hidratada, tiragem sub e intercostalAP: crepitações em hemitórax direitoFR: 30 ipmSO₂: 90% em ar ambienteFc: 165 bpm, ritmo sinusalPulsos periféricos finos Pcp: 4 segundosPA: 80x40 mmhgEcg: 10Ante o exposto, o possível diagnóstico do quadro que a trouxe a urgência é:

Alternativas

  1. A) Pneumonia
  2. B) Choque cardiogênico
  3. C) Sepse
  4. D) Choque séptico
  5. E) Abcesso pulmonar

Pérola Clínica

Criança com infecção + disfunção orgânica (hipotensão, sonolência, taquicardia, ↑ PCP) → Sepse/Choque Séptico.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de infecção (febre, tosse, crepitações) associados a disfunção orgânica (sonolência, hipotensão, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado e SpO2 baixa), caracterizando um quadro de sepse grave ou choque séptico, que exige reconhecimento e manejo imediatos.

Contexto Educacional

A sepse pediátrica é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças globalmente, sendo uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos. É definida como uma disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. A rápida progressão para choque séptico e falência de múltiplos órgãos torna o diagnóstico precoce e a intervenção agressiva cruciais para a sobrevida. A suspeita de sepse em crianças deve surgir diante de um quadro infeccioso associado a sinais de disfunção orgânica. Os critérios de disfunção incluem alterações cardiovasculares (taquicardia, hipotensão, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado), respiratórias (taquipneia, hipoxemia), neurológicas (sonolência, irritabilidade, Glasgow <11), renais (oligúria) e metabólicas (acidose metabólica). No caso de Maria, a febre, dispneia, sonolência, hipotensão e pulsos finos são indicativos claros de sepse grave, já evoluindo para choque. O manejo da sepse e choque séptico pediátrico segue o protocolo "Golden Hour", com foco na estabilização hemodinâmica e erradicação da infecção. Isso inclui garantia de vias aéreas e ventilação adequadas, acesso vascular rápido, expansão volêmica com cristaloides (bolus de 20 mL/kg, repetível), coleta de culturas e administração de antibióticos de amplo espectro nas primeiras horas. A falha em responder à fluidoterapia indica a necessidade de vasopressores. O prognóstico depende diretamente da rapidez e adequação do tratamento inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para sepse em crianças?

Sinais de alerta incluem febre persistente, taquicardia, taquipneia, hipotensão, tempo de enchimento capilar prolongado, alteração do nível de consciência (sonolência, irritabilidade) e oligúria.

Qual a conduta inicial para uma criança com suspeita de choque séptico?

A conduta inicial envolve estabilização das vias aéreas e respiração, acesso venoso, expansão volêmica rápida com cristaloides (20 mL/kg em bolus), coleta de culturas e início precoce de antibióticos de amplo espectro.

Como diferenciar sepse de choque séptico em pediatria?

Sepse é a disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Choque séptico é um subconjunto da sepse onde as anormalidades circulatórias e metabólicas são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade, caracterizado por hipotensão persistente apesar da reposição volêmica adequada ou necessidade de vasopressores.

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