Sepse Pediátrica em Pacientes Oncológicos: Diagnóstico e Sinais

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 7 anos, na 4ª semana de tratamento quimioterápico para leucemia linfocítica aguda, é admitido em hospital terciário com história de febre há 12 horas (temperatura axilar de 39 °C), tosse e dispneia. Após 24 horas da admissão, segue febril, apesar de ter usado dipirona há 1 hora, e mantém diurese de 2 mL/kg/h. Exame físico: hidratado; pálido; orientado no tempo e no espaço; frequência cardíaca de 130 bpm; temperatura axilar de 39 °C; frequência respiratória de 36 irpm; pressão arterial de 90 x 60 mmHg; boa perfusão periférica; murmúrio vesicular diminuído em base de hemitórax à direita, com crepitações; bulhas taquicárdicas; fígado a 4 cm do rebordo costal direito e 5 cm do apêndice xifoide; baço a 4 cm do rebordo costal esquerdo. Os exames laboratoriais evidenciam lactato aumentado, acidose metabólica e hemograma com leucocitose com desvio à esquerda. Com base no quadro descrito, o diagnóstico é

Alternativas

  1. A) sepse.
  2. B) choque séptico.
  3. C) disfunção de múltiplos órgãos.
  4. D) síndrome da resposta inflamatória sistêmica.

Pérola Clínica

Paciente oncológico febril com taquicardia, taquipneia, hipotensão, lactato elevado e acidose metabólica → Sepse = Disfunção orgânica por infecção.

Resumo-Chave

A sepse em pacientes pediátricos imunocomprometidos, como aqueles em quimioterapia para leucemia, é uma emergência médica caracterizada por uma resposta inflamatória sistêmica à infecção, que pode levar à disfunção orgânica, manifestada por hipotensão, taquicardia, taquipneia, acidose metabólica e lactato elevado.

Contexto Educacional

A sepse pediátrica é uma condição grave e potencialmente fatal, especialmente em pacientes imunocomprometidos, como aqueles em tratamento quimioterápico para leucemia linfocítica aguda. Nesses pacientes, a neutropenia induzida pela quimioterapia aumenta drasticamente o risco de infecções graves que podem evoluir rapidamente para sepse e choque séptico. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é fundamental para um desfecho favorável. O quadro clínico de sepse em crianças pode ser sutil, mas a presença de febre persistente, taquicardia, taquipneia, hipotensão e sinais de disfunção orgânica (como acidose metabólica e lactato elevado) em um paciente de risco deve levantar forte suspeita. A disfunção orgânica é a marca registrada da sepse, e a progressão para choque séptico ocorre quando há hipotensão persistente apesar da reposição volêmica adequada. O tratamento inicial inclui antibioticoterapia de amplo espectro, reposição volêmica e suporte hemodinâmico, visando restaurar a perfusão tecidual e controlar a infecção. A leucocitose com desvio à esquerda, acidose metabólica e lactato aumentado são indicadores laboratoriais cruciais que refletem a resposta inflamatória sistêmica e a hipoperfusão tecidual. A avaliação rápida e a intervenção agressiva são pilares no manejo da sepse pediátrica, especialmente em populações vulneráveis como pacientes oncológicos, onde a janela de oportunidade para tratamento eficaz é estreita.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de sepse em crianças?

O diagnóstico de sepse em crianças envolve a presença de infecção confirmada ou suspeita, juntamente com dois ou mais critérios de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS), como febre/hipotermia, taquicardia, taquipneia e leucocitose/leucopenia.

Qual a importância do lactato elevado na sepse pediátrica?

O lactato elevado é um marcador de hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbio, indicando gravidade e disfunção orgânica na sepse, sendo um importante preditor de mortalidade e guia para a ressuscitação.

Como a quimioterapia para leucemia aumenta o risco de sepse?

A quimioterapia causa imunossupressão, principalmente neutropenia, que compromete a capacidade do sistema imune de combater infecções bacterianas e fúngicas, tornando esses pacientes altamente suscetíveis à sepse.

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