Sepse em Lúpus: Manejo da Insuficiência Adrenal e Transfusão

HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 27 anos vai ao PS queixando-se de lombalgia direita muito intensa, náuseas e vômitos. É portadora de lúpus eritematoso sistêmico e está em uso de prednisona 10mg ao dia e hidroxicloroquina 400mg ao dia. Nega internações recentes. Ao exame físico, PA: 100x60mmHg, FC: 128bpm, FR: 26ipm, SpO² 94% (aa). Apresentase alerta e orientada. O exame cardiovascular revela ritmo cardíaco taquicárdico; as extremidades estão aquecidas e apresentam o enchimento capilar imediato. O exame respiratório revela taquipnéia, sem esforço e ausculta normal. O exame do abdome não revela anormalidades. A punho-percussão revela dor na região lombar direita. Exames de laboratório: Hemoglobina: 8,3g/dL (VR 12-16d/dL); Leucócitos: 14.780/mm3 (4.000-11.000/mm3 ); neutrófilos: 10.890/mm³ (1.500-7.000/mm³); plaquetas: 78.000/mm³ (150.000-450.000mm³); creatinina: 2,2mg/dL; ureia: 54mg/dL; bilirrubina total: 3,4mg/dL (<1,2mg/dL); bilirrubina direta: 2,0mg/dL (<0,4mg/dL). Assinale a alternativa que apresenta uma conduta INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Prescrever transfusão de concentrado de hemácias.
  2. B) Solicitar TC abdominal total na urgência.
  3. C) Prescrever antibiótico parenteral de espectro adequado.
  4. D) Prescrever hidrocortisona parenteral.

Pérola Clínica

Paciente lúpica em sepse com uso crônico de corticoide → suspeitar de insuficiência adrenal secundária e iniciar hidrocortisona parenteral. Transfusão de hemácias para Hb 8,3 g/dL em sepse é INCORRETA.

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro de sepse grave (provável pielonefrite) e está em uso crônico de prednisona, o que a coloca em risco de insuficiência adrenal secundária. A reposição de hidrocortisona é fundamental. A transfusão de concentrado de hemácias para Hb 8,3 g/dL em sepse é geralmente restritiva, a menos que haja instabilidade hemodinâmica ou sangramento ativo.

Contexto Educacional

Pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) são imunocomprometidos, tanto pela doença em si quanto pelo uso de imunossupressores como corticoides e hidroxicloroquina, tornando-os mais suscetíveis a infecções graves, como a sepse. A sepse é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Os sinais de sepse incluem taquicardia, taquipneia, hipotensão, leucocitose, plaquetopenia e disfunção de órgãos (renal, hepática). A presença de lombalgia intensa e punho-percussão dolorosa sugere fortemente pielonefrite aguda como foco infeccioso. A anemia, trombocitopenia e elevação de creatinina e bilirrubinas indicam disfunção de múltiplos órgãos. Um ponto crítico é o uso crônico de prednisona, que suprime o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, colocando a paciente em risco de insuficiência adrenal secundária durante o estresse da sepse. Nesses casos, a reposição de hidrocortisona parenteral é vital. O manejo da sepse exige antibioticoterapia empírica de amplo espectro precoce, ressuscitação volêmica e suporte hemodinâmico. A transfusão de concentrado de hemácias em pacientes com sepse segue uma estratégia restritiva, geralmente indicada para hemoglobina abaixo de 7 g/dL, a menos que haja evidências de isquemia miocárdica, choque grave ou sangramento ativo. Transfundir para uma hemoglobina de 8,3 g/dL sem essas indicações é considerado uma conduta incorreta e pode aumentar os riscos sem benefício comprovado. A TC abdominal total é essencial para confirmar o diagnóstico de pielonefrite e avaliar a extensão da infecção.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes em uso crônico de corticoides têm risco de insuficiência adrenal secundária na sepse?

O uso crônico de corticoides exógenos suprime o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, levando à atrofia das glândulas adrenais e incapacidade de produzir cortisol suficiente em situações de estresse, como a sepse.

Quais são os critérios para transfusão de concentrado de hemácias em pacientes com sepse?

As diretrizes atuais recomendam uma estratégia de transfusão restritiva, visando manter a hemoglobina entre 7-9 g/dL. A transfusão é indicada para Hb < 7 g/dL ou em casos de instabilidade hemodinâmica persistente, choque, isquemia miocárdica ou sangramento ativo.

Quais exames complementares são essenciais para investigar a causa da sepse neste caso?

Além dos exames laboratoriais já realizados, é crucial coletar culturas (hemoculturas, urocultura devido à lombalgia e disúria) e realizar exames de imagem como a TC abdominal total para identificar o foco infeccioso (provável pielonefrite) e avaliar complicações.

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