Sepse Neonatal Tardia: Diagnóstico e Manejo Inicial

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2024

Enunciado

Bebê, 10 dias de vida, é admitido no serviço de emergência com quadro clínico de letargia, sucção débil, vômitos e distensão abdominal há dois dias. Ao exame físico apresentava-se pálido, ictérico (Zona III de Kramer), hipotônico, hipoativo, taquicárdico, taquipneico e hipotérmico. A glicemia capilar foi realizada com resultado igual a 35 mg/dL, que foi devidamente corrigida. O diagnóstico provável e a conduta inicial a ser tomada, são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) hipoglicemia neonatal grave; investigar erros inatos do metabolismo e distúrbios hormonais.
  2. B) encefalopatia bilirrubínica; realizar ressonância magnética e BERA para confirmar o diagnóstico.
  3. C) sepse neonatal tardia; solicitar hemograma, proteína-C reativa (PCR) e hemocultura, seguido de antibioticoterapia intravenosa.
  4. D) gastroenterocolite viral; prescrever soro de reidratação oral, zinco e probiótico.

Pérola Clínica

RN com sinais inespecíficos de doença sistêmica (letargia, hipotermia, sucção débil, instabilidade hemodinâmica) → pensar em sepse neonatal.

Resumo-Chave

O quadro clínico do bebê de 10 dias, com múltiplos sintomas sistêmicos e inespecíficos (letargia, hipotonia, instabilidade térmica e hemodinâmica, hipoglicemia), é altamente sugestivo de sepse neonatal tardia. A conduta inicial deve ser a coleta de exames para investigação infecciosa e início imediato de antibioticoterapia empírica intravenosa, antes mesmo da confirmação laboratorial.

Contexto Educacional

A sepse neonatal é uma síndrome clínica de disfunção orgânica com risco de vida, causada por uma infecção. A sepse tardia ocorre após 72 horas de vida e é frequentemente adquirida no ambiente hospitalar ou comunitário. É uma das principais causas de morbimortalidade em recém-nascidos, exigindo alta suspeição e intervenção rápida. Os sintomas são frequentemente inespecíficos e podem mimetizar outras condições, tornando o diagnóstico um desafio. O quadro clínico apresentado pelo bebê de 10 dias, com letargia, sucção débil, vômitos, distensão abdominal, icterícia, hipotonia, hipotermia e instabilidade hemodinâmica (taquicardia, taquipneia), além da hipoglicemia, é altamente sugestivo de uma infecção sistêmica grave. A hipoglicemia, embora corrigida, é um sinal de estresse metabólico comum na sepse. A icterícia prolongada também pode ser um sinal de sepse. Diante da suspeita de sepse neonatal, a conduta inicial é crucial e não pode ser postergada. Inclui a coleta de culturas (hemocultura, urocultura, líquor se houver sinais neurológicos) e marcadores inflamatórios (hemograma, PCR) para identificar o agente etiológico e avaliar a resposta inflamatória. No entanto, o tratamento com antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro deve ser iniciado imediatamente após a coleta das culturas, sem aguardar os resultados, devido à rápida progressão da doença e ao risco de desfechos desfavoráveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para sepse neonatal tardia?

Os sinais de alerta para sepse neonatal tardia são frequentemente inespecíficos e incluem letargia, sucção débil, vômitos, distensão abdominal, instabilidade térmica (hipotermia ou febre), icterícia, taquicardia, taquipneia e hipoglicemia, exigindo alta suspeição clínica.

Qual a conduta inicial para um recém-nascido com suspeita de sepse?

A conduta inicial para suspeita de sepse neonatal inclui coleta de exames laboratoriais (hemograma, PCR, hemocultura, urocultura, líquor se indicado) e início imediato de antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, após estabilização hemodinâmica, sem aguardar resultados.

Por que a hipoglicemia é um achado comum na sepse neonatal?

A hipoglicemia é comum na sepse neonatal devido ao aumento do consumo de glicose pelo metabolismo acelerado da infecção e à diminuição da produção hepática de glicose, além de uma resposta endócrina inadequada ao estresse, sendo um sinal de gravidade.

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