HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2020
Recém-nascido de 37 semanas, sexo feminino, nascido de parto vaginal; mãe com história de febre durante o parto, evoluiu sem outros sintomas, porém com 25 horas de vida a recém-nascida apresentava-se hipoativa, recusando a dieta e com hipertermia. Realizado exame de líquor que evidenciou: 210mg/dL de proteínas 410 leucócitos/ mm3. Qual o provável agente etiológico?
RN com febre materna intraparto + sintomas precoces (hipoatividade, recusa dieta, hipertermia) + líquor alterado → Sepse/Meningite por GBS.
A sepse neonatal de início precoce, especialmente em recém-nascidos de mães com febre intraparto, é frequentemente causada por Streptococcus agalactiae (GBS). Os achados liquóricos de proteinorraquia e pleocitose são consistentes com meningite bacteriana, reforçando a suspeita de GBS como agente etiológico principal neste cenário clínico.
A sepse neonatal é uma das principais causas de morbimortalidade em recém-nascidos. A sepse de início precoce (nas primeiras 72 horas de vida) está frequentemente associada à transmissão vertical de patógenos maternos, sendo o Streptococcus agalactiae (GBS) o agente etiológico mais comum em muitos países. A identificação de fatores de risco maternos, como febre intraparto, e o reconhecimento precoce dos sinais clínicos inespecíficos no neonato são cruciais para o diagnóstico e tratamento oportunos. O diagnóstico da sepse neonatal exige alta suspeição clínica e exames complementares, incluindo hemocultura, cultura de líquor e análise do líquor. Achados como pleocitose e proteinorraquia no líquor são indicativos de meningite, uma complicação grave da sepse. A interpretação dos parâmetros do líquor em neonatos deve considerar os valores de referência específicos para essa faixa etária, que diferem dos adultos. O tratamento da sepse neonatal é uma emergência médica e envolve antibioticoterapia empírica de amplo espectro, que deve cobrir os principais patógenos, incluindo GBS e bacilos Gram-negativos entéricos. A escolha do antibiótico pode ser ajustada após a identificação do agente e o teste de sensibilidade. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo a meningite uma condição com potencial para sequelas neurológicas significativas.
Os sinais de sepse neonatal precoce podem ser inespecíficos e incluem hipoatividade, letargia, recusa alimentar, instabilidade térmica (hipo ou hipertermia), desconforto respiratório, icterícia e alterações hemodinâmicas. A suspeita deve ser alta em RN com fatores de risco.
O Streptococcus agalactiae (GBS) é uma bactéria que pode colonizar o trato gastrointestinal e geniturinário materno. Durante o parto vaginal, o recém-nascido pode ser exposto à bactéria, levando à infecção. Fatores como febre materna intraparto aumentam o risco de transmissão e doença.
Achados sugestivos de meningite bacteriana no líquor neonatal incluem pleocitose (aumento de leucócitos, especialmente polimorfonucleares), proteinorraquia elevada e glicorraquia baixa. A cultura do líquor é fundamental para a identificação definitiva do agente etiológico.
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