UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Recém-nascido com 39 semanas de idade gestacional (parto vaginal), com escore de Apgar 9 no quinto minuto, apresentou taquipneia com 6 horas de vida. A mãe tinha diagnóstico de infecção urinária. O hemograma da criança evidenciou leucocitose, a dosagem de proteína C reativa foi de 1 mg/l e a hemocultura ainda se encontrava em análise. Diante desse quadro, qual a conduta mais adequada?
RN com taquipneia e leucocitose, PCR normal, mãe com ITU → observar e aguardar culturas antes de ATB empírica.
Um recém-nascido com taquipneia e leucocitose, mas com PCR normal e boa vitalidade (Apgar 9), especialmente se a taquipneia surge tardiamente (6h de vida), pode ter taquipneia transitória do RN. A infecção urinária materna é um fator de risco, mas com PCR normal e hemocultura pendente, a observação e reavaliação são preferíveis à antibioticoterapia empírica imediata, que deve ser reservada para casos com maior probabilidade de sepse.
A sepse neonatal precoce é uma condição grave que exige alta suspeição e manejo rápido, sendo um dos principais desafios na neonatologia e um tema frequente em provas de residência. No entanto, a decisão de iniciar antibioticoterapia empírica deve ser ponderada, considerando fatores de risco, apresentação clínica e exames laboratoriais, para evitar o uso excessivo de antibióticos e a resistência antimicrobiana. O caso apresenta um RN com taquipneia, leucocitose e mãe com ITU, fatores que poderiam levantar a suspeita de sepse. Contudo, o Apgar 9, a taquipneia surgindo às 6 horas de vida (o que pode ser compatível com taquipneia transitória do RN) e, crucialmente, uma PCR normal (1 mg/l) diminuem a probabilidade de sepse grave imediata. A fisiopatologia da taquipneia transitória envolve o atraso na reabsorção do líquido pulmonar fetal. A conduta mais adequada, nesse cenário, é aguardar o resultado da hemocultura e monitorar a evolução clínica do recém-nascido. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro (ampicilina e gentamicina) é reservada para casos com maior probabilidade de infecção, como PCR elevada, sinais clínicos mais evidentes de sepse ou instabilidade. O prognóstico é bom com a conduta correta, evitando tratamentos desnecessários e suas complicações.
Fatores de risco incluem infecção urinária materna não tratada, corioamnionite, ruptura prolongada de membranas (>18h), prematuridade e colonização materna por Streptococcus do grupo B (GBS) sem profilaxia adequada.
A PCR é um marcador inflamatório que, quando elevada, sugere infecção. No entanto, um valor normal (como 1 mg/l) não exclui completamente a sepse, mas diminui a probabilidade, especialmente se associado a outros parâmetros clínicos e laboratoriais favoráveis.
A taquipneia transitória geralmente se manifesta nas primeiras horas de vida, melhora espontaneamente em 24-72h e não se associa a outros sinais de infecção sistêmica. A sepse, por outro lado, pode apresentar outros sinais como letargia, hipotonia, dificuldade alimentar e instabilidade térmica, além de marcadores inflamatórios alterados.
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