MedEvo Simulado — Prova 2025
Recém-nascido (RN) de 3.100 g, de gênero feminino, nascida de parto vaginal com 37 semanas de idade gestacional. A mãe tem 22 anos de idade e houve rotura de membranas 20 horas antes do parto. O pré-natal foi incompleto. Oito horas após o nascimento, o recém-nascido apresentou letargia, irritabilidade, dificuldade para mamar, frequência respiratória (FR) de 65 irpm, com gemência e retrações subcostais, temperatura axilar de 36,0°C. Exames laboratoriais iniciais mostraram 3.000 leucócitos/mm³, com relação neutrófilos imaturos/neutrófilos totais (I/T) de 0,3. Radiografia de tórax evidenciou infiltrado perihilar bilateral. Em relação à condução clínica deste caso, assinale a alternativa INCORRETA:
Sepse neonatal precoce (<72h) → esquema empírico padrão é Ampicilina (cobre GBS e Listeria) + Aminoglicosídeo (cobre Gram-negativos).
A vancomicina não é a primeira escolha para sepse neonatal de início precoce. Seu uso é reservado para casos de sepse tardia com suspeita de infecção por Staphylococcus coagulase-negativa ou MRSA, geralmente associados a dispositivos invasivos.
A sepse neonatal é uma das principais causas de morbimortalidade no período neonatal, exigindo alto índice de suspeição e manejo rápido. Ela é classificada como precoce, quando se manifesta nas primeiras 72 horas de vida, ou tardia, após esse período. A sepse precoce está associada a patógenos adquiridos por transmissão vertical da mãe, como Streptococcus agalactiae (GBS), Escherichia coli e Listeria monocytogenes. Fatores de risco incluem prematuridade, corioamnionite e rotura prolongada de membranas (>18 horas). O quadro clínico é frequentemente sutil e inespecífico, manifestando-se com alterações de atividade, recusa alimentar, instabilidade térmica e desconforto respiratório. Achados laboratoriais como leucopenia (<5.000/mm³) ou leucocitose (>25.000/mm³), e uma relação de neutrófilos imaturos sobre totais (I/T) > 0,2 são sugestivos, mas a ausência deles não exclui o diagnóstico. Diante da suspeita clínica, a coleta de culturas (hemocultura) e o início imediato de antibioticoterapia empírica são mandatórios. O tratamento de primeira linha para sepse neonatal precoce é a associação de ampicilina com um aminoglicosídeo (gentamicina ou amicacina). A vancomicina não faz parte do esquema inicial, sendo reservada para sepse tardia de origem hospitalar, onde há maior prevalência de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) ou Staphylococcus coagulase-negativa, especialmente em recém-nascidos com cateteres venosos centrais.
Os sinais são inespecíficos e podem incluir letargia, irritabilidade, dificuldade para mamar, instabilidade térmica (hipo ou hipertermia), desconforto respiratório (gemência, taquipneia), icterícia, vômitos e alterações de perfusão periférica.
Essa combinação oferece ampla cobertura contra os patógenos mais comuns adquiridos no período perinatal. A ampicilina é eficaz contra Streptococcus do grupo B e Listeria monocytogenes, enquanto o aminoglicosídeo (como a gentamicina) cobre bacilos Gram-negativos, como a E. coli.
A sepse precoce ocorre nas primeiras 72 horas de vida, com patógenos de transmissão vertical. A tardia ocorre após 72 horas, geralmente com patógenos do ambiente hospitalar ou comunitário. Na sepse tardia, especialmente hospitalar, a cobertura para Staphylococcus (com oxacilina ou vancomicina) e bacilos Gram-negativos resistentes é frequentemente necessária.
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