CEPOA - Centro de Estudos e Pesquisas Oculistas Associados (RJ) — Prova 2020
Prematuro com 34 semanas de idade gestacional, nascido de parto vaginal com bolsa rota de 20 horas e líquido amniótico claro. Apgar 8/8. Com 12 horas de vida, apresenta dificuldade respiratória, hipotonia e instabilidade térmica. Além da coleta de hemograma, a conduta indicada neste caso é colher:
Prematuro + RPMO > 18h + sinais de sepse (DR, hipotonia, instabilidade térmica) → Investigar sepse neonatal (hemocultura, líquor) + ATB empírica.
Um prematuro com ruptura prolongada de membranas (>18h) e sinais clínicos de sepse (dificuldade respiratória, hipotonia, instabilidade térmica) deve ser prontamente investigado para sepse neonatal (hemocultura, líquor) e iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro.
A sepse neonatal precoce é uma infecção sistêmica que ocorre nas primeiras 72 horas de vida, sendo uma das principais causas de morbimortalidade em recém-nascidos, especialmente em prematuros. Fatores de risco maternos e perinatais, como a ruptura prolongada de membranas ovulares (RPMO > 18 horas), corioamnionite, prematuridade e colonização materna por agentes patogênicos, aumentam significativamente a probabilidade de infecção. No caso apresentado, o prematuro com 34 semanas e RPMO de 20 horas, desenvolvendo dificuldade respiratória, hipotonia e instabilidade térmica, apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de sepse neonatal precoce. Os sinais e sintomas da sepse em neonatos são inespecíficos e podem mimetizar outras condições, o que torna o diagnóstico desafiador e a suspeita clínica crucial. A conduta diante da suspeita de sepse neonatal é a coleta de exames para investigação e o início imediato da antibioticoterapia empírica de amplo espectro. Os exames incluem hemograma completo, hemocultura (fundamental para identificar o agente etiológico e guiar o tratamento), e punção lombar para análise do líquor e cultura, a fim de descartar ou confirmar meningite. A espera pelos resultados das culturas para iniciar o tratamento pode ser fatal, dada a rápida progressão da doença em neonatos. A antibioticoterapia empírica inicial geralmente cobre os patógenos mais comuns, como Streptococcus agalactiae e Escherichia coli.
Os principais fatores de risco incluem prematuridade, ruptura prolongada de membranas ovulares (>18 horas), corioamnionite materna, febre materna intraparto, colonização materna por Streptococcus agalactiae (GBS) não tratada e infecção do trato urinário materno.
Os sinais são inespecíficos e variados, incluindo dificuldade respiratória (taquipneia, gemência, tiragem), instabilidade térmica (hipotermia ou febre), hipotonia, letargia, irritabilidade, recusa alimentar, icterícia, palidez e má perfusão.
A punção lombar para coleta de líquor é essencial para descartar ou confirmar a meningite, uma complicação grave da sepse neonatal. A meningite neonatal pode ocorrer mesmo sem sinais neurológicos evidentes e requer tratamento específico e prolongado.
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