Sepse Neonatal Precoce: Diagnóstico e Tratamento

HSJ - Hospital São Julião (MS) — Prova 2015

Enunciado

Um recém-nascido de 36 semanas gestacionais, peso ao nascer de 3 kg, com 6 dias de vida apresenta quadro súbito de gemência, taquipneia, apneias, déficit de perfusão e recusa alimentar. Na história clínica identificou-se que a mãe teve febre no dia do parto e tempo de bolsa rota de 19 horas, na radiografia de tórax do recém-nascido há micronodulações em padrão de vidro moído disseminadas pelos pulmões e broncograma aéreo.Sobre este caso assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A quimioprofilaxia na mãe antes do parto pode reduzir a incidência de casos como este de transmissão neonatal.
  2. B) O caso é compatível com uma pneumonia perinatal causada por um germe do canal de parto materno como o Streptococcus do grupo B.
  3. C) Esta é uma doença multifatorial, sendo a prematuridade um fator importante e a evolução típica é a formação de áreas de fibrose, distensão pulmonar e lesão pulmonar crônica.
  4. D) A meningite pode estar associada a este quadro e, quando houver esta suspeita, o diagnóstico se faz através da punção lombar, preferencialmente antes do início do tratamento.
  5. E) A escolha inicial de tratamento específico antimicrobiano consiste no uso de ampicilina associada à gentamicina.

Pérola Clínica

RN com desconforto respiratório + febre materna/bolsa rota prolongada + RX com micronodulações/vidro moído → Sepse/Pneumonia Neonatal (SGB) → Ampicilina + Gentamicina.

Resumo-Chave

O quadro clínico e radiológico do RN, associado aos fatores de risco maternos (febre no parto, bolsa rota prolongada), é altamente sugestivo de sepse neonatal precoce, com pneumonia como manifestação. O Streptococcus do grupo B (SGB) é um patógeno comum. A alternativa C descreve a displasia broncopulmonar, uma complicação crônica, não a evolução típica da pneumonia aguda neonatal.

Contexto Educacional

A sepse neonatal precoce, frequentemente manifestada como pneumonia, é uma emergência pediátrica grave, com alta morbimortalidade. Ocorre nas primeiras 72 horas de vida e é geralmente adquirida verticalmente, sendo o Streptococcus do grupo B (SGB) o patógeno mais comum. Fatores de risco maternos como febre intraparto e bolsa rota prolongada são cruciais para a suspeita diagnóstica. A fisiopatologia envolve a transmissão de microrganismos do canal de parto materno. Os sinais clínicos são inespecíficos e podem incluir desconforto respiratório, apneias, letargia, recusa alimentar e instabilidade térmica. A radiografia de tórax pode mostrar infiltrados compatíveis com pneumonia. A suspeita deve ser alta em qualquer RN com fatores de risco e sinais de doença. O tratamento empírico com ampicilina e gentamicina deve ser iniciado prontamente após a coleta de culturas. A meningite é uma complicação grave e a punção lombar deve ser considerada antes do início do tratamento, se o estado clínico permitir. A prevenção com quimioprofilaxia intraparto para SGB é fundamental para reduzir a incidência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco maternos para sepse neonatal precoce?

Os fatores de risco incluem febre materna intraparto, ruptura prematura de membranas prolongada (>18 horas), colonização materna por Streptococcus do grupo B (SGB) não tratada, e prematuridade.

Qual o tratamento antimicrobiano empírico inicial para sepse neonatal?

A combinação padrão de antibióticos empíricos para sepse neonatal é ampicilina associada a um aminoglicosídeo, como a gentamicina, para cobrir os patógenos mais comuns, incluindo SGB e enterobactérias.

Como a pneumonia neonatal se manifesta radiologicamente?

A radiografia de tórax na pneumonia neonatal pode apresentar infiltrados difusos, micronodulações, padrão de vidro moído, consolidações e broncograma aéreo, dependendo do agente etiológico e da extensão da infecção.

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