MedEvo Simulado — Prova 2026
Recém-nascido de 36 horas de vida, nascido de parto vaginal, a termo, com peso de 3.250g, apresenta-se na unidade de alojamento conjunto. A história materna revela febre intraparto (38,4°C), rotura prolongada de membranas de 20 horas e status para Estreptococo do grupo B (GBS) desconhecido, sem antibioticopreservação realizada. Nas últimas 6 horas, a equipe de enfermagem notou que o recém-nascido apresenta dificuldade na sucção, episódios de gemência expiratória leve e instabilidade térmica, com temperatura axilar de 35,7°C. Ao exame físico, o neonato está hipoativo, com frequência respiratória de 74 irpm, frequência cardíaca de 155 bpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos e saturação de O2 de 91% em ar ambiente. Com base no quadro clínico e nos antecedentes descritos, a conduta imediata mais adequada é:
RN sintomático + fatores de risco (RPM >18h, febre materna) → Hemocultura + ATB imediato.
A presença de sinais clínicos de sepse (gemência, hipoatividade, instabilidade térmica) em um RN com múltiplos fatores de risco maternos exige início imediato de antibioticoterapia após coleta de culturas.
A sepse neonatal precoce é uma emergência pediátrica com alta morbimortalidade. O diagnóstico baseia-se na combinação de fatores de risco maternos (como febre intraparto > 38°C, RPM > 18h e status de GBS) e manifestações clínicas no neonato. Sinais como taquipneia, gemência, hipoatividade e má perfusão são indicativos de sepse até que se prove o contrário. O manejo padrão-ouro envolve a coleta de hemocultura (e líquor, se clinicamente indicado e estável) seguida imediatamente pela administração de Ampicilina e Gentamicina. O atraso no início da antibioticoterapia em RNs sintomáticos está diretamente associado a piores desfechos neurológicos e óbito. Exames como hemograma e PCR têm baixo valor preditivo positivo isoladamente e não devem retardar o tratamento.
Os principais agentes etiológicos da sepse neonatal precoce (aquela que ocorre nas primeiras 48 a 72 horas de vida) são o Streptococcus agalactiae (GBS) e a Escherichia coli. Outros patógenos incluem a Listeria monocytogenes e outros bacilos gram-negativos entéricos. A escolha da Ampicilina associada a um aminoglicosídeo (geralmente Gentamicina) visa cobrir exatamente esse espectro.
A rotura prolongada de membranas é definida como a ruptura da bolsa amniótica ocorrendo 18 horas ou mais antes do nascimento. Este é um fator de risco clássico para a ascensão de patógenos do trato genital materno para a cavidade amniótica, aumentando significativamente o risco de sepse neonatal precoce, especialmente se associado à colonização por GBS ou febre materna.
Diferente de crianças maiores e adultos, os recém-nascidos, especialmente os prematuros ou doentes, frequentemente não apresentam febre em resposta à infecção. A hipotermia (temperatura axilar < 36,0°C) ou a instabilidade térmica são sinais clínicos precoces e importantes de sepse neonatal, refletindo a imaturidade do centro termorregulador e a gravidade do quadro infeccioso sistêmico.
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