HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Um RN com 18 dias de vida foi levado à emergência pela mãe. Ela relata que seu filho, além de apresentar febre, tem mamado menos e está chorando mais que o habitual. Ao exame físico, afere-se temperatura de 38,5 °C, frequência cardíaca está um pouco aumentada, porém o restante do exame físico encontra-se normal. Com base no caso clínico apresentado, julgue o item.O RN deve ser hospitalizado e indica-se início de antibioticoterapia após os resultados dos exames e da cultura, sendo, nesse caso, recomendado o antibiótico com base na sensibilidade da cultura.
Febre no RN = Emergência médica → Coleta de culturas + Antibiótico imediato.
Recém-nascidos com febre ou sinais inespecíficos de infecção devem ser hospitalizados e tratados com antibioticoterapia empírica imediata, sem aguardar resultados de culturas.
A abordagem do recém-nascido febril é um dos pilares da neonatologia de emergência. A imaturidade da barreira hematoencefálica e a opsonização deficiente tornam o neonato vulnerável a infecções sistêmicas. O protocolo clássico para qualquer RN com febre nos primeiros 28 dias de vida exige a 'triagem de sepse' completa. Isso inclui hemocultura, análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) para afastar meningite, e urocultura (preferencialmente por cateterismo vesical ou punção suprapúbica). A decisão terapêutica não deve ser retardada por exames de imagem ou laboratoriais. A antibioticoterapia empírica deve cobrir os germes do canal de parto e do ambiente hospitalar/comunitário. A falha em iniciar o tratamento precocemente está diretamente ligada a sequelas neurológicas permanentes e óbito. Após 48 a 72 horas, se as culturas forem negativas e o paciente estiver clinicamente bem, a suspensão do antibiótico e a alta podem ser consideradas.
O recém-nascido possui um sistema imunológico imaturo, o que permite uma progressão extremamente rápida de infecções localizadas para sepse grave e choque séptico. Os sinais clínicos iniciais são frequentemente sutis e inespecíficos (como irritabilidade ou má aceitação alimentar). Devido à alta morbimortalidade associada à demora no tratamento, a conduta padrão é a hospitalização imediata, coleta de exames (hemograma, PCR, hemocultura, urina e líquor) e início imediato de antibióticos de amplo espectro, ajustando-os posteriormente conforme os resultados das culturas.
Os patógenos mais comuns envolvidos na sepse neonatal precoce (aquela que ocorre nas primeiras 48-72 horas de vida) são o Streptococcus agalactiae (Grupo B) e a Escherichia coli. Outros agentes incluem a Listeria monocytogenes. Em casos de sepse tardia (após 72 horas), ganham importância os estafilococos coagulase-negativos e patógenos hospitalares. A escolha do esquema empírico inicial geralmente envolve a combinação de Ampicilina e um Aminoglicosídeo (como a Gentamicina) para cobrir esses principais agentes.
A febre (temperatura axilar ≥ 37,5°C ou retal ≥ 38,0°C) em um neonato de 18 dias é sempre considerada um sinal de alerta grave. Diferente de crianças maiores, o RN raramente apresenta febre por causas benignas sem risco de infecção bacteriana grave (IBG). A avaliação deve ser completa, incluindo história gestacional, parto e triagem infecciosa completa. Mesmo que o exame físico pareça normal (exceto pela febre), o risco de meningite, infecção do trato urinário ou bacteremia oculta justifica a internação e o tratamento empírico imediato.
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