Sepse Neonatal: Sinais de Alerta e Conduta Inicial Urgente

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Recém-nascido com 9 dias de vida apresenta dificuldade para respirar há 1 dia, com piora nas últimas horas, além de não estar mamando bem. Exame físico: regular estado geral, icterícia leve até cicatriz umbilical, hipoatividade, gemência, batimento de aleta nasal, tiragem intercostal e retração diafragmática, FR 80 ipm, FC 170 bpm, temperatura axilar 37,5 ºC. A conduta mais adequada é

Alternativas

  1. A) jejum, iniciar terapia de hidratação venosa, monitorizar, avaliar necessidade de suplementação de oxigênio e solicitar internação hospitalar.
  2. B) antitérmico, iniciar antibioticoterapia por via oral e orientar a família para observação domiciliar e reavaliação em 48 horas.
  3. C) antitérmico, leite materno por sonda nasogástrica, iniciar tratamento com ceftriaxona intramuscular e realização de radiografia de tórax.
  4. D) expansão com soro fisiológico 40 ml/kg em 20 minutos, dosagem de bilirrubinas e realização de radiografia de tórax.

Pérola Clínica

RN < 28 dias com desconforto respiratório + hipoatividade + má aceitação alimentar → suspeita de sepse neonatal → internação e suporte imediato.

Resumo-Chave

Um recém-nascido com sinais de desconforto respiratório, hipoatividade e má aceitação alimentar, mesmo com febre baixa, deve ser tratado como sepse neonatal até prova em contrário. A conduta inicial envolve estabilização, suporte vital e internação para investigação e tratamento empírico.

Contexto Educacional

A sepse neonatal é uma das principais causas de morbimortalidade em recém-nascidos, especialmente nos primeiros 28 dias de vida. A imaturidade do sistema imunológico do neonato torna-o particularmente vulnerável a infecções, que podem progredir rapidamente para quadros graves. A etiologia pode ser congênita, perinatal ou pós-natal, com bactérias como Streptococcus agalactiae (GBS), E. coli e Listeria monocytogenes sendo patógenos comuns. O diagnóstico da sepse neonatal é desafiador devido à apresentação clínica inespecífica e à ausência de sinais clássicos de infecção. Sinais como dificuldade respiratória (taquipneia, gemência, tiragem), hipoatividade, letargia, má aceitação alimentar, instabilidade térmica (hipotermia ou febre), icterícia e alterações na perfusão devem levantar alta suspeita. A febre pode estar ausente ou ser baixa, e a hipotermia é um sinal de mau prognóstico. A conduta para um recém-nascido com suspeita de sepse é uma emergência e deve ser agressiva. Inclui estabilização do paciente (jejum, hidratação venosa, suporte respiratório com oxigênio, monitorização), coleta de exames para identificação do agente (hemocultura, urocultura, líquor) e início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, geralmente com ampicilina e gentamicina ou cefotaxima, antes mesmo da confirmação laboratorial. A internação hospitalar é mandatória.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para sepse em recém-nascidos?

Os sinais de alerta em RNs são inespecíficos e podem incluir dificuldade respiratória (taquipneia, gemência, tiragem), hipoatividade, letargia, má aceitação alimentar, instabilidade térmica (hipotermia ou febre), icterícia e alterações na perfusão.

Por que a sepse neonatal é uma emergência médica?

A sepse neonatal é uma emergência porque a progressão da infecção pode ser rápida e fulminante em recém-nascidos, devido à imaturidade do sistema imunológico, levando a choque séptico, falência de múltiplos órgãos e morte se não tratada prontamente.

Qual a conduta inicial para um RN com suspeita de sepse?

A conduta inicial inclui jejum, estabilização da via aérea e respiração, suporte circulatório com hidratação venosa, monitorização contínua, suplementação de oxigênio se necessário, coleta de exames para investigação (hemocultura, líquor) e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo