FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
Primigesta, IG 29 semanas, dá entrada na sala vermelha com queixa de dor em baixo ventre e dispneia. Ao exame físico: REG, taquipneica, descorada +/4, desidratada 2+/4; PA: 90 x 50 mmHg; FC 130 bpm; FR 25 ipm; Au 27cm; BCF 170 bpm; dinâmica uterina ausente; tônus normal. Segundo os critérios do quick SOFA, qual o diagnóstico provável?
Gestante, IG 29s, taquipneia, hipotensão, FC alta, BCF alto → Sepse (quick SOFA + foco infeccioso).
A paciente apresenta dois critérios do quick SOFA (FR > 22 ipm e PA sistólica < 100 mmHg) e sinais de infecção (dor em baixo ventre, desidratação, taquicardia, taquipneia, BCF elevado), sugerindo sepse, com pielonefrite sendo um foco comum na gestação.
A sepse na gestação é uma condição grave e potencialmente fatal, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e fetal. O diagnóstico precoce é crucial, e os critérios do quick SOFA (qSOFA) podem auxiliar na triagem de pacientes com suspeita de infecção e risco de desfechos desfavoráveis. Os critérios incluem: frequência respiratória ≥ 22 ipm, alteração do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow < 15) e pressão arterial sistólica ≤ 100 mmHg. No caso apresentado, a paciente preenche dois critérios do qSOFA (FR 25 ipm e PA 90x50 mmHg), além de apresentar sinais de infecção (dor em baixo ventre, taquicardia, taquipneia, desidratação) e comprometimento fetal (BCF 170 bpm, indicando taquicardia fetal, um sinal de estresse). A pielonefrite é uma causa comum de sepse em gestantes devido às alterações fisiológicas do trato urinário na gravidez, que favorecem a estase urinária e o refluxo. O manejo da sepse em gestantes requer uma abordagem multidisciplinar e agressiva, incluindo antibioticoterapia de amplo espectro, suporte hemodinâmico e monitorização fetal contínua. A rápida identificação e intervenção são determinantes para melhorar o prognóstico materno-fetal.
Os critérios do quick SOFA (qSOFA) são: frequência respiratória ≥ 22 ipm, alteração do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow < 15) e pressão arterial sistólica ≤ 100 mmHg. Em gestantes, a aplicação é a mesma, mas é crucial considerar as alterações fisiológicas da gravidez que podem mascarar ou exacerbar alguns sinais.
A pielonefrite é comum na gravidez devido a alterações fisiológicas como dilatação dos ureteres, estase urinária e diminuição do tônus da bexiga, que favorecem o refluxo vesicoureteral e a proliferação bacteriana. Se não tratada, a infecção pode progredir para sepse.
Sinais de sofrimento fetal na sepse materna incluem taquicardia fetal (BCF > 160 bpm), desacelerações tardias, diminuição da variabilidade da frequência cardíaca fetal e, em casos graves, bradicardia fetal. A febre materna e a hipoperfusão podem comprometer o bem-estar fetal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo