UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020
Paciente, 65 anos, hipertenso bem controlado, estava internado na enfermaria para tratamento de pneumonia comunitária, em uso de Ceftriaxona e Claritromicina. Após 36 horas de internação, você é chamado na clínica médica para avaliar esse paciente que, agora, encontra-se taquicárdico (FC 115 bpm), taquipneico (FR 25 irpm), SatO2 93% em ar ambiente, febril (Tax 38,8o C), normotenso (PAM 70 mmHg) e confuso. Lactato é 1,8 mmol/L, com tempo de enchimento capilar de 3 segundos e Mottling ausente. As culturas já foram solicitadas na admissão. Nesse caso, sua conduta imediata é
Deterioração clínica em paciente internado com pneumonia + sinais de disfunção orgânica (confusão, taquipneia) → Sepse. Avaliar resposta ao ATB e monitorar em UTI.
O paciente apresenta critérios para sepse (infecção + disfunção orgânica - confusão mental, taquipneia). No entanto, não há sinais claros de choque séptico (PAM 70 mmHg é normotenso, lactato não elevado, TEC 3s é limítrofe mas não francamente alterado, mottling ausente). A conduta inicial é monitorar em UTI, investigar a causa da deterioração e avaliar a eficácia do antibiótico atual antes de trocá-lo empiricamente.
A sepse é uma síndrome complexa e potencialmente fatal, caracterizada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, resultando em disfunção orgânica. É uma das principais causas de morbimortalidade em hospitais, e seu reconhecimento precoce é crucial para um desfecho favorável. A pneumonia comunitária é uma causa comum de sepse. O diagnóstico de sepse baseia-se na presença de infecção e disfunção orgânica, avaliada por escores como o SOFA. Sinais como alteração do estado mental, taquipneia e hipotensão são indicativos de disfunção. O choque séptico, uma forma mais grave, é caracterizado por hipotensão persistente que requer vasopressores e lactato elevado, apesar da ressuscitação volêmica. O manejo inicial da sepse inclui a administração precoce de antibióticos de amplo espectro, ressuscitação volêmica com cristaloides e controle da fonte de infecção. A monitorização contínua em UTI é fundamental para avaliar a resposta ao tratamento e identificar precocemente a progressão para choque séptico ou outras complicações. A decisão de trocar antibióticos deve ser ponderada, considerando a evolução clínica e os resultados microbiológicos.
A sepse é definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. É suspeitada em pacientes com infecção e um aumento agudo de 2 ou mais pontos no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) ou, para triagem rápida, pelo qSOFA (alteração do estado mental, FR ≥ 22 irpm, PAS ≤ 100 mmHg).
A sepse é a disfunção orgânica induzida por infecção. O choque séptico é um subconjunto da sepse onde as anormalidades circulatórias e metabólicas celulares são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade. É definido pela necessidade de vasopressores para manter uma PAM ≥ 65 mmHg E lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.
A troca de antibióticos deve ser considerada se houver evidência de falha terapêutica (deterioração clínica, persistência da febre, culturas positivas para patógenos resistentes) ou se os resultados das culturas e testes de sensibilidade indicarem que o regime inicial não é adequado. No entanto, uma deterioração inicial pode ser parte da evolução da sepse e não necessariamente falha do antibiótico.
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