AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2023
Mulher, 41 anos, há 7 meses com história de arroxeamento nas mãos, artralgia, espessamento cutâneo nos braços, cotovelos, tórax e abdome. Na investigação ambulatorial, tem um FAN e anti -scl 70 positivos. Queixa-se de tosse há duas semanas, com febre e apresenta-se dispneica no PS. Ao exame, FC 122 bpm, FR 28 ipm, pa 80x50 mmHg, sat 82 em ar ambiente. Ausculta pulmonar com crepitantes difusos. A conduta a ser tomada é:
Paciente com doença autoimune e sinais de choque (hipotensão, taquicardia, hipoxemia) → priorizar manejo de sepse e choque séptico.
A paciente apresenta sinais claros de choque séptico (hipotensão, taquicardia, taquipneia, hipoxemia, crepitantes difusos) em um contexto de infecção (febre, tosse). A condição autoimune subjacente (esclerodermia) aumenta a vulnerabilidade, mas a prioridade imediata é o reconhecimento e tratamento agressivo da sepse, seguindo o protocolo de emergência.
A sepse é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. Em pacientes com doenças autoimunes, como a esclerodermia sistêmica, o risco de desenvolver sepse é aumentado devido à imunossupressão (seja pela doença em si ou pelo tratamento) e ao comprometimento de múltiplos órgãos. A esclerodermia é uma doença crônica do tecido conjuntivo caracterizada por fibrose cutânea e visceral, podendo afetar pulmões, coração, rins e trato gastrointestinal, tornando esses pacientes mais frágeis diante de uma infecção grave. O diagnóstico de sepse e choque séptico exige alta suspeição clínica. Os critérios incluem evidência de infecção e disfunção orgânica (avaliada pelo escore SOFA). No caso da paciente, a presença de febre, tosse, dispneia, taquicardia, taquipneia, hipotensão (PA 80x50 mmHg) e hipoxemia (Sat 82% em ar ambiente) com crepitantes difusos indica um quadro grave de sepse com choque séptico e provável insuficiência respiratória aguda. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica descontrolada que leva a danos teciduais e falência de órgãos. A conduta imediata para sepse e choque séptico é uma emergência médica. Envolve a estabilização do paciente, seguindo o protocolo de sepse: administração de fluidos intravenosos, coleta de culturas, início precoce de antibióticos de amplo espectro e, se necessário, vasopressores. A corticoterapia para a doença autoimune de base não é a prioridade neste cenário agudo de choque. O prognóstico da sepse é diretamente influenciado pela rapidez do reconhecimento e início do tratamento, sendo crucial para residentes priorizar a abordagem da sepse em detrimento de condições crônicas subjacentes em situações de emergência.
Sinais de alerta incluem febre, calafrios, taquicardia, taquipneia, hipotensão, alteração do estado mental, oligúria e hipoxemia. Em pacientes imunocomprometidos, a febre pode ser o único sinal inicial, exigindo alta suspeição.
A conduta inicial envolve a estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos (cristaloides), coleta de culturas, início precoce de antibióticos de amplo espectro, e, se necessário, uso de vasopressores para manter a pressão arterial média. É crucial seguir o protocolo de sepse.
Pacientes com esclerodermia podem ter comprometimento pulmonar (doença pulmonar intersticial), renal ou gastrointestinal, o que os torna mais suscetíveis a infecções e a um curso mais grave da sepse. A imunossupressão, se presente, também contribui para a vulnerabilidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo