Sepse e Choque Séptico: Diagnóstico e Manejo Inicial

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente masculino, 46 anos, apresentando hiporexia, tosse e febre há 4 dias. Hoje iniciou dor ventilatório dependente em hemitórax à direita. Foi levado ao pronto atendimento após apresentar lipotimia. Ao exame físico apresentava-se confuso, desidratado 2+/4+, descorado 2+/4+, FR: 26ipm, FC: 130bpm. Tempo de enchimento capilar (TEC) de 5 segundos, PA: 90x60mmHG. TAX: 34°C. Paciente em ar ambiente com saturação de O2=92%. Peso: 80kg. A ausculta pulmonar: murmúrio vesicular diminuído globalmente, com creptações em base de hemotórax à direita. O único exame disponível quando o paciente foi atendido era a seguinte gasometria: pH: 7,25 / PO2:55 mmHg / PCO2:30 mmHg / HCO3:16 mEq/L / Sat O2:90%. Marque a alternativa que indica o diagnóstico, local de tratamento e sequência terapêutica adequada:

Alternativas

  1. A) Sepse. Tratamento em enfermaria. Coleta de hemoculturas. Antibiótico na 1ª hora (ceftriaxona e Claritromicina), expansão com ringer lactato 2400ml.
  2. B) Sepse grave. Tratamento em enfermaria. Coleta de hemoculturas, antibiótico em até 3 horas (ceftriaxona e claritromicina), expansão com ringer lactato 1600ml.
  3. C) Choque séptico. Tratamento em UTI. Coleta de hemoculturas e aspirado traqueal. Antibiótico em até 1 hora (levofloxacino). Expansão com SF 0,9% 2400ml, hidrocortisona endovenosa.
  4. D) Sepse. Tratamento em UTI Coleta de culturas. Antibiótico em até 1hora (Ceftriaxona e azitromicina), expansão com ringer lactato 1600ml, dexametasona endovenosa.

Pérola Clínica

Sepse com hipotensão e disfunção orgânica → Choque Séptico. Iniciar ATB e fluidos na 1ª hora.

Resumo-Chave

Paciente com sinais de infecção, hipotensão, alteração do nível de consciência e hipoperfusão (TEC > 3s, acidose metabólica) preenche critérios para choque séptico, exigindo tratamento imediato em UTI. A conduta inicial inclui coleta de culturas, antibioticoterapia de amplo espectro na primeira hora e ressuscitação volêmica agressiva.

Contexto Educacional

A sepse é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. O choque séptico representa a forma mais grave de sepse, caracterizada por hipotensão persistente que requer vasopressores para manter a pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg, e lactato sérico elevado (> 2 mmol/L), mesmo após ressuscitação volêmica adequada. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são cruciais para a sobrevida. O diagnóstico de sepse é baseado na presença de uma infecção suspeita ou confirmada e um aumento agudo de ≥ 2 pontos no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment). O paciente do caso apresenta sinais claros de disfunção orgânica (confusão mental, hipotensão, taquipneia, hipoxemia, acidose metabólica), indicando um quadro de choque séptico. O tratamento inicial do choque séptico deve ser iniciado na primeira hora e inclui coleta de culturas (hemoculturas, uroculturas, etc.), administração de antibióticos de amplo espectro (como ceftriaxona e claritromicina para pneumonia comunitária grave) e ressuscitação volêmica com cristaloides (30 mL/kg). Pacientes em choque séptico necessitam de tratamento em unidade de terapia intensiva (UTI) para monitoramento contínuo e suporte avançado.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de choque séptico?

Choque séptico é diagnosticado quando há sepse (infecção + disfunção orgânica) e hipotensão persistente que requer vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg, apesar de ressuscitação volêmica adequada, e lactato sérico > 2 mmol/L.

Qual a sequência de tratamento inicial para choque séptico?

A sequência inclui coleta de culturas, administração de antibióticos de amplo espectro na primeira hora, ressuscitação volêmica com cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas) e, se necessário, vasopressores para manter a PAM.

Por que a hipotermia pode ser um sinal de sepse grave?

A hipotermia (temperatura < 36°C) em um paciente com infecção pode indicar uma resposta inflamatória sistêmica grave e disfunção termorregulatória, sendo um sinal de mau prognóstico na sepse.

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