CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Sobre SEPSE em paciente no pós-cirúrgico de hemicolectomia por neoplasia de sigmoide, avalie a CORRETA:
Sepse = Infecção suspeita/confirmada + Disfunção orgânica (ΔSOFA ≥ 2).
O protocolo de sepse deve ser acionado imediatamente diante da suspeita de infecção associada a qualquer disfunção orgânica aguda, visando diagnóstico e tratamento precoces.
A sepse é uma das principais causas de morte em pacientes hospitalizados, especialmente no pós-operatório de cirurgias de grande porte como a hemicolectomia. A identificação precoce através de protocolos institucionais é fundamental. O foco deve ser a detecção de disfunções orgânicas (renal, respiratória, cardiovascular, hematológica, hepática ou neurológica). O choque séptico é um subgrupo da sepse em que as anormalidades circulatórias e do metabolismo celular são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade, caracterizado pela necessidade de vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg E lactato > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.
De acordo com o consenso Sepsis-3, a sepse é definida como uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Clinicamente, a disfunção orgânica é identificada por uma variação aguda de 2 pontos ou mais no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment). O qSOFA (frequência respiratória ≥ 22, alteração do nível de consciência e PAS ≤ 100 mmHg) é uma ferramenta de triagem para identificar pacientes com maior risco de desfechos desfavoráveis fora da UTI.
O 'bundle' da primeira hora recomenda: 1) Medir o nível de lactato; 2) Obter hemoculturas antes da administração de antibióticos (desde que não atrase o início destes); 3) Administrar antibióticos de amplo espectro; 4) Iniciar ressuscitação volêmica com 30 mL/kg de cristaloides se hipotensão ou lactato ≥ 4 mmol/L; 5) Iniciar vasopressores se o paciente permanecer hipotenso durante ou após a ressuscitação volêmica para manter uma PAM ≥ 65 mmHg.
A escolha deve ser baseada no foco provável (neste caso, abdominal), nos patógenos mais comuns (gram-negativos entéricos e anaeróbios), no histórico de uso de antibióticos do paciente, na flora local do hospital e na gravidade do quadro. Uma cefalosporina de segunda geração isolada geralmente é insuficiente para um quadro de sepse abdominal grave pós-cirúrgica, sendo necessário cobertura mais ampla (ex: Piperacilina/Tazobactam ou Carbapenêmicos, dependendo do risco de germes multirresistentes).
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