Manejo da Sepse: Protocolos e Disfunção Orgânica

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025

Enunciado

Sobre SEPSE em paciente no pós-cirúrgico de hemicolectomia por neoplasia de sigmoide, avalie a CORRETA:

Alternativas

  1. A) O antibiótico a ser iniciado nesse caso, deve ser uma cefalosporina de segunda geração, independentemente, se já fez uso prévio de algum antibiótico.
  2. B) O protocolo de sepse deve ser aberto para pacientes com suspeita de sepse e choque séptico, a partir da presença de disfunção orgânica em pacientes com suspeita de infecção grave.
  3. C) Não deve ser iniciado nenhum tipo de antibiótico até que se tenha coletada hemocultura, uma vez que se trata de sepse. Após coleta da cultura, o antibiótico a ser iniciado é a linezolida, pelo amplo espectro.
  4. D) Mais importante que o antibiótico, deve ser a reposição volêmica agressiva (30 mL/kg de ringer lactato) ainda na primeira hora, uma vez que o objetivo mais importante é reverter a hipotensão.

Pérola Clínica

Sepse = Infecção suspeita/confirmada + Disfunção orgânica (ΔSOFA ≥ 2).

Resumo-Chave

O protocolo de sepse deve ser acionado imediatamente diante da suspeita de infecção associada a qualquer disfunção orgânica aguda, visando diagnóstico e tratamento precoces.

Contexto Educacional

A sepse é uma das principais causas de morte em pacientes hospitalizados, especialmente no pós-operatório de cirurgias de grande porte como a hemicolectomia. A identificação precoce através de protocolos institucionais é fundamental. O foco deve ser a detecção de disfunções orgânicas (renal, respiratória, cardiovascular, hematológica, hepática ou neurológica). O choque séptico é um subgrupo da sepse em que as anormalidades circulatórias e do metabolismo celular são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade, caracterizado pela necessidade de vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg E lactato > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios atuais para diagnóstico de sepse (Sepsis-3)?

De acordo com o consenso Sepsis-3, a sepse é definida como uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Clinicamente, a disfunção orgânica é identificada por uma variação aguda de 2 pontos ou mais no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment). O qSOFA (frequência respiratória ≥ 22, alteração do nível de consciência e PAS ≤ 100 mmHg) é uma ferramenta de triagem para identificar pacientes com maior risco de desfechos desfavoráveis fora da UTI.

Qual a prioridade no tratamento da sepse na primeira hora?

O 'bundle' da primeira hora recomenda: 1) Medir o nível de lactato; 2) Obter hemoculturas antes da administração de antibióticos (desde que não atrase o início destes); 3) Administrar antibióticos de amplo espectro; 4) Iniciar ressuscitação volêmica com 30 mL/kg de cristaloides se hipotensão ou lactato ≥ 4 mmol/L; 5) Iniciar vasopressores se o paciente permanecer hipotenso durante ou após a ressuscitação volêmica para manter uma PAM ≥ 65 mmHg.

Como escolher o antibiótico empírico na sepse pós-operatória?

A escolha deve ser baseada no foco provável (neste caso, abdominal), nos patógenos mais comuns (gram-negativos entéricos e anaeróbios), no histórico de uso de antibióticos do paciente, na flora local do hospital e na gravidade do quadro. Uma cefalosporina de segunda geração isolada geralmente é insuficiente para um quadro de sepse abdominal grave pós-cirúrgica, sendo necessário cobertura mais ampla (ex: Piperacilina/Tazobactam ou Carbapenêmicos, dependendo do risco de germes multirresistentes).

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