CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2025
O antígeno Carcinoembrionário (CEA) é um marcador para o diagnóstico de CA colo-retal. A sua sensibilidade e especificidade, porém, podem variar com o estágio da doença. O ponto de corte usualmente aceito é o de 20 ng/ml. Porém, no monitoramento dos casos que foram tratados cirurgicamente, um ponto de corte de 10 ng/ml é utilizado para marcador de possível recidiva. Assinale a afirmativa correta na interpretação dessa redução no ponto de corte:
↓ ponto de corte de um teste diagnóstico → ↑ sensibilidade (mais verdadeiros positivos) e ↓ especificidade (mais falsos positivos).
Reduzir o ponto de corte de um marcador como o CEA para monitorar recidiva aumenta a capacidade de detectar a doença precocemente (maior sensibilidade), ao custo de mais alarmes falsos (menor especificidade). A escolha visa não perder nenhum caso de recorrência.
O Antígeno Carcinoembrionário (CEA) é uma glicoproteína oncofetal usada como marcador tumoral, principalmente no câncer colorretal (CCR). Embora não seja recomendado para rastreamento populacional devido à sua baixa sensibilidade em estágios iniciais, o CEA é uma ferramenta valiosa no estadiamento pré-operatório, na avaliação prognóstica e, fundamentalmente, no monitoramento pós-tratamento para detecção de recidivas. A interpretação de qualquer teste diagnóstico depende dos conceitos de sensibilidade e especificidade, que são inversamente relacionados e influenciados pelo ponto de corte (cutoff) escolhido. Sensibilidade é a capacidade do teste de identificar corretamente os indivíduos com a doença (verdadeiros positivos), enquanto especificidade é a capacidade de identificar corretamente os indivíduos sem a doença (verdadeiros negativos). A alteração do ponto de corte modifica esse equilíbrio. Ao reduzir o ponto de corte do CEA de 20 ng/ml (usado em um contexto diagnóstico geral) para 10 ng/ml (para monitoramento de recidiva), o teste se torna mais propenso a dar um resultado positivo. Isso aumenta a proporção de pacientes com recidiva que serão corretamente identificados (aumento da sensibilidade), permitindo uma intervenção precoce. Contudo, essa mudança também aumenta a chance de resultados falso-positivos em pacientes sem recidiva (redução da especificidade), o que exige uma investigação complementar para confirmação.
No monitoramento, o objetivo é detectar a menor quantidade possível de doença recorrente o mais cedo possível. Um ponto de corte mais baixo aumenta a sensibilidade, permitindo a detecção precoce, mesmo que isso aumente o risco de resultados falso-positivos que necessitarão de investigação adicional.
Níveis de CEA podem estar elevados em outras neoplasias (pâncreas, estômago, pulmão, mama) e em condições benignas como tabagismo, doença inflamatória intestinal, pancreatite e doenças hepáticas. Por isso, sua especificidade é limitada.
A curva ROC (Receiver Operating Characteristic) plota a sensibilidade (taxa de verdadeiros positivos) versus 1-especificidade (taxa de falsos positivos) para diferentes pontos de corte. Ela ajuda a visualizar o trade-off e a escolher o ponto de corte ideal que equilibra sensibilidade e especificidade para um determinado objetivo clínico.
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