SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2018
No contexto da Atenção Primária à Saúde, eventualmente, encontram-se prontuários que relatam todo o curso de vida de certo paciente, desde o período gestacional até a idade adulta, incluindo-se o período reprodutivo. Suponha que o M.S.F., atualmente com 28 anos de idade, foi acompanhada, no posto de saúde, durante toda a sua vida, desde a própria gestação da qual foi fruto. Ao longo de sua vida, várias estratégias de prevenção e programas de rastreamento foram efetuados e, eventualmente, continuarão sendo utilizados ao longo de seu envelhecimento. A paciente é sexualmente ativa, solteira, negra, com dois filhos (2 e 4 anos de idade), secretária, não tabagista, não etilista, fisicamente ativa, com IMC = 22,5 e PA = 125 mmHg x 70 mmHg na última consulta. A respeito dessas estratégias e desses programas e considerando as recomendações dos cadernos de Atenção Básica do Ministério da Saúde, julgue o item a seguir. Enquanto os testes de triagem utilizados nos programas de rastreamento apresentam alta especificidade, os testes de confirmação diagnóstica apresentam alta sensibilidade.
Triagem exige Sensibilidade ↑ (não perder doentes); Confirmação exige Especificidade ↑ (não rotular saudáveis).
Testes de triagem devem ser sensíveis para captar o máximo de casos (evitar falsos-negativos), enquanto testes confirmatórios devem ser específicos para excluir quem não tem a doença.
Na epidemiologia clínica aplicada à Atenção Primária, a estratégia de rastreamento populacional baseia-se na aplicação sequencial de testes. O primeiro teste (triagem) deve ser altamente sensível para não deixar passar nenhum caso da doença em estágio inicial, onde a intervenção é mais eficaz. Uma vez que o teste de triagem é positivo, aplica-se um teste confirmatório com alta especificidade. Este segundo teste tem como objetivo 'limpar' os falsos-positivos gerados pela alta sensibilidade do primeiro, assegurando que o diagnóstico final seja preciso. Inverter essa lógica comprometeria a eficácia de qualquer programa de saúde pública.
A sensibilidade é a capacidade de um teste identificar corretamente os indivíduos que realmente possuem a doença. Em programas de triagem, queremos um teste com alta sensibilidade para garantir que poucos doentes sejam ignorados (baixos falsos-negativos). É o 'filtro' inicial que captura todos os possíveis casos para posterior investigação.
A especificidade é a capacidade do teste identificar corretamente os indivíduos saudáveis. Testes confirmatórios precisam de alta especificidade para garantir que um resultado positivo seja verdadeiro (baixos falsos-positivos). Isso evita que pacientes saudáveis sejam submetidos a tratamentos desnecessários ou invasivos.
Embora a sensibilidade e especificidade sejam propriedades intrínsecas do teste, os Valores Preditivos (Positivo e Negativo) dependem da prevalência da doença na população. Em populações de baixa prevalência (comum na triagem da Atenção Primária), mesmo um teste muito específico pode gerar muitos falsos-positivos em números absolutos.
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