Delirium em Idosos: Reconhecimento e Diagnóstico Diferencial

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2023

Enunciado

Senhora, 73 anos, professora aposentada, faz trabalhos comunitários (reforço escolar para crianças carentes) e viúva. Há 1 ano sua filha vem notando que tem se esquecido com mais facilidade dos seus compromissos. Nas reuniões familiares, tornou-se um pouco repetitiva, contando as mesmas histórias e tendo maiores dificuldades para encontrar a palavra que quer dizer. Nos últimos meses, tem se confundido ao pagar contas na mercearia e padaria, voltando para casa frequentemente com o troco errado. Certo dia, ficou muito desorientada, confundindo os parentes, não sabia onde estava e dizia que havia bichos na parede e perto da cama. Passou a noite toda sem dormir e dizia que havia pessoas dentro da casa, mas não sabia quem eram, quando foi levada ao Hospital para avaliação. Qual hipótese diagnóstica melhor explica o quadro atual da paciente?

Alternativas

  1. A) Esquizofrenia
  2. B) Transtorno Delirante
  3. C) Depressão Maior
  4. D) Delirium

Pérola Clínica

Idoso com declínio cognitivo crônico + alteração aguda de consciência, atenção e cognição = Delirium.

Resumo-Chave

Delirium é uma alteração aguda e flutuante do estado mental, caracterizada por distúrbio da atenção, consciência e cognição. Em idosos, frequentemente se sobrepõe a um quadro de demência preexistente, sendo desencadeado por fatores agudos como infecções ou medicamentos.

Contexto Educacional

O delirium, também conhecido como estado confusional agudo, é uma síndrome neuropsiquiátrica caracterizada por uma alteração aguda e flutuante do estado mental, que afeta a atenção, a consciência e a cognição. É uma condição comum em idosos, especialmente em ambientes hospitalares, e é considerada uma emergência médica devido à sua associação com aumento da morbidade, mortalidade e tempo de internação. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente, polifarmácia, desidratação, infecções, cirurgias, dor e privação de sono. Os sintomas podem variar de hipoativo (letargia, sonolência) a hiperativo (agitação, alucinações, delírios), ou misto. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, e pode ser auxiliado por ferramentas como o Confusion Assessment Method (CAM). É crucial identificar e tratar a causa subjacente do delirium, que frequentemente é reversível. O manejo envolve otimização do ambiente, hidratação, nutrição, mobilização precoce e, se necessário, uso cauteloso de antipsicóticos para agitação severa. O prognóstico melhora com o reconhecimento e tratamento precoces, mas o delirium pode ter consequências a longo prazo, como declínio cognitivo persistente.

Perguntas Frequentes

Quais são as características essenciais para o diagnóstico de delirium?

As características essenciais incluem um início agudo e curso flutuante, distúrbio da atenção, distúrbio da consciência e alteração na cognição (memória, desorientação, linguagem).

Quais são os principais fatores de risco e precipitantes para delirium em idosos?

Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente, múltiplas comorbidades. Precipitantes comuns são infecções, desidratação, medicamentos (especialmente anticolinérgicos), dor, privação de sono e cirurgias.

Como diferenciar delirium de demência?

O delirium tem início agudo e curso flutuante, com alteração proeminente da atenção e consciência. A demência tem início insidioso e curso progressivo, com atenção geralmente preservada no início.

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