Dreno de Kehr: Manejo e Colangiografia Pós-Operatória

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Um senhor de 56 anos foi operado de colecistite aguda por videolaparoscopia. A colangiografia intraoperatória mostrou cole- docolitíase. Foi feita a exploração das vias biliares, com retirada do cálculo e colocação de dreno de Kehr. Foi ainda deixado um dreno de Penrose subhepático. A respeito dos drenos deste paciente, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O dreno de Kehr é um dreno de vigilância para fístula biliar.
  2. B) Se o débito do dreno de Kehr for diminuindo progressivamente e chegar a menos de 200 mL em 24 horas no 3o ou 4o pós-ope- ratório, o dreno de Penrose deve ser retirado, mantendo-se apenas o dreno de Kehr, enquanto sair bile.
  3. C) Se o débito do dreno de Kehr for > 500 mL no 2o pós-operatório, ele deve ser fechado, mantendo-se apenas o dreno de Penrose funcionante.
  4. D) Deve ser feita colangiografia antes da retirada do dreno de Kehr.
  5. E) Se não tiver saída de bile, o dreno de Penrose deve ser retirado até ao segundo dia de pós-operatório.

Pérola Clínica

Dreno de Kehr: retirada após colangiografia de controle para confirmar permeabilidade biliar e ausência de fístula.

Resumo-Chave

O dreno de Kehr é colocado após exploração das vias biliares para descompressão e monitoramento. Sua retirada não é arbitrária; é crucial realizar uma colangiografia de controle através do próprio dreno para assegurar a ausência de vazamentos (fístulas biliares) e a livre drenagem da bile para o duodeno, evitando complicações como peritonite biliar.

Contexto Educacional

A cirurgia de exploração das vias biliares, frequentemente realizada para tratar coledocolitíase, é um procedimento complexo que pode envolver a colocação de drenos para monitoramento e prevenção de complicações. O dreno de Kehr, um dreno em forma de 'T', é inserido diretamente no ducto colédoco após a coledocotomia, servindo para descompressão da via biliar, permitindo a cicatrização da incisão e facilitando a drenagem da bile. O manejo pós-operatório do dreno de Kehr é crítico. Antes de sua retirada, é imperativo realizar uma colangiografia através do próprio dreno. Este exame radiológico permite visualizar a anatomia da via biliar, confirmar a ausência de cálculos residuais, avaliar a permeabilidade do ducto colédoco distal e, crucialmente, descartar a presença de fístulas biliares. A retirada precoce ou sem controle adequado pode levar a extravasamento de bile para a cavidade abdominal, resultando em peritonite biliar, uma complicação grave. O dreno de Penrose, por sua vez, é um dreno de borracha simples, geralmente posicionado na loja sub-hepática, atuando como um dreno de vigilância para coleções líquidas ou pequenas fístulas biliares que possam ocorrer fora do ducto principal. Seu débito e características são monitorados para identificar precocemente complicações.

Perguntas Frequentes

Qual a função do dreno de Kehr após cirurgia biliar?

O dreno de Kehr é um dreno em T inserido no ducto colédoco após sua exploração para descompressão da via biliar, permitir a cicatrização da coledocotomia e monitorar a saída de bile, além de possibilitar colangiografias de controle.

Por que é importante a colangiografia antes da retirada do dreno de Kehr?

A colangiografia pré-retirada é fundamental para confirmar a permeabilidade da via biliar principal, descartar a presença de cálculos residuais e, principalmente, assegurar que não há fístulas biliares, evitando complicações graves.

Qual a diferença entre dreno de Kehr e dreno de Penrose neste contexto?

O dreno de Kehr é intraductal, para a via biliar principal. O dreno de Penrose é um dreno de vigilância periductal (subhepático), colocado para drenar coleções ou fístulas biliares menores na cavidade abdominal.

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