Delirium em Idosos: Reconhecimento e Avaliação Clínica

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2015

Enunciado

Senhor de 78 anos de idade está internado para tratamento de pneumonia e descompensação do diabetes mellitus tipo 2. No terceiro dia de internação, a equipe de enfermagem relatou que o paciente ficou muito agitado à noite, arrancou o acesso venoso, falou coisas sem sentido, não reconheceu o acompanhante e precisou ser contido no leito. No dia seguinte, durante o dia, o paciente estava sonolento, não soube informar corretamente onde estava, errou também o dia, mês e ano. Conseguiu relatar que não se recordava bem da noite anterior e tinha a sensação de ter “variado um pouco”. Os familiares ficaram assustados com tal situação. Considerando tudo isso, qual a principal hipótese para tal comportamento e quais funções psíquicas precisam ser avaliadas neste caso?

Alternativas

  1. A) Demência; orientação e memória.
  2. B) Delirium tremens; sensopercepção, orientação e psicomotricidade.
  3. C) Transtorno psicótico breve; orientação, pensamento e sensopercepção.
  4. D) Transtorno afetivo bipolar; humor, atenção e pensamento.
  5. E) Delirium; atenção e orientação. 

Pérola Clínica

Delirium: Flutuação aguda da atenção e consciência, comum em idosos hospitalizados com comorbidades.

Resumo-Chave

O quadro de alteração aguda e flutuante do nível de consciência, desorientação e distúrbios cognitivos em um paciente idoso internado é altamente sugestivo de delirium. As funções psíquicas mais afetadas e que devem ser avaliadas são a atenção e a orientação.

Contexto Educacional

O delirium, também conhecido como estado confusional agudo, é uma síndrome neuropsiquiátrica comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos, caracterizada por uma perturbação aguda e flutuante da atenção e da consciência. Sua prevalência é alta em unidades de terapia intensiva e em pacientes com múltiplas comorbidades, como o caso descrito de pneumonia e diabetes descompensado. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na observação de alterações agudas e flutuantes no estado mental, com destaque para a dificuldade de manter a atenção e a desorientação. A avaliação das funções psíquicas como atenção, orientação, memória e sensopercepção é crucial. O manejo do delirium envolve a identificação e tratamento das causas subjacentes, otimização do ambiente (iluminação, ruído), mobilização precoce e, se necessário, uso de antipsicóticos em baixas doses para agitação grave. O prognóstico pode ser desfavorável, com aumento da mortalidade, tempo de internação e risco de demência a longo prazo, ressaltando a importância do reconhecimento e intervenção precoces.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do delirium?

O delirium se manifesta por alteração aguda e flutuante do nível de consciência e atenção, desorientação, distúrbios da memória, pensamento desorganizado, alterações da percepção (alucinações) e do ciclo sono-vigília.

Quais funções psíquicas são mais afetadas no delirium?

As funções psíquicas mais afetadas e que devem ser prioritariamente avaliadas no delirium são a atenção (capacidade de focar e manter a concentração) e a orientação (em relação a tempo, espaço e pessoa).

Como diferenciar delirium de demência em idosos?

O delirium tem início agudo, curso flutuante e afeta primariamente a atenção. A demência tem início insidioso, curso progressivo e afeta primariamente a memória e outras funções cognitivas, com atenção geralmente preservada no início.

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