CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Assinale a associação correta:1 - pérolas de íris 2 - sinal de Amsler 3 - sinal de Hutchinson
Pérolas íris = Hanseníase; Sinal Amsler = Fuchs; Sinal Hutchinson = Herpes-zóster.
A identificação de sinais semiológicos clássicos permite o diagnóstico diferencial preciso entre uveítes infecciosas e síndromes inflamatórias crônicas.
A semiologia oftalmológica é rica em epônimos e sinais específicos que correlacionam achados oculares com doenças sistêmicas. O reconhecimento das pérolas de íris na hanseníase é crucial em áreas endêmicas, pois pode ser a primeira pista para o diagnóstico da forma multibacilar. Já a Ciclite de Fuchs, embora benigna em progressão, exige cautela cirúrgica devido ao risco de hifema (sinal de Amsler). O herpes-zóster oftálmico, por sua vez, representa uma urgência oftalmológica potencial. O sinal de Hutchinson serve como um alerta epidemiológico e clínico para o início imediato de terapia antiviral sistêmica para prevenir a perda visual permanente decorrente de complicações corneanas ou retinianas.
O sinal de Hutchinson é caracterizado pela presença de vesículas herpéticas na ponta ou na lateral do nariz. Tecnicamente, isso indica o envolvimento do ramo nasociliar do nervo trigêmeo (V1). Como esse ramo também inerva as estruturas intraoculares, sua presença é um preditor clínico forte (cerca de 75% de correlação) para o desenvolvimento de complicações oculares, como uveíte anterior, ceratite ou esclerite, exigindo monitoramento oftalmológico rigoroso.
O sinal de Amsler refere-se à ocorrência de uma hemorragia filiforme na câmara anterior que surge após uma paracentese da câmara anterior ou mesmo durante a tonometria de aplanação em pacientes com Ciclite Heterocrômica de Fuchs. Isso ocorre devido à fragilidade dos vasos anormais e finos que cruzam o ângulo da câmara anterior. É um achado diagnóstico importante, embora a síndrome seja frequentemente diagnosticada pela tríade de heterocromia, precipitados ceráticos finos e catarata subcapsular posterior.
As pérolas de íris são pequenas lesões esbranquiçadas, semelhantes a grãos de areia ou pérolas, localizadas na superfície da íris ou na margem pupilar. Elas representam aglomerados de bacilos de Hansen (Mycobacterium leprae) e células inflamatórias. São consideradas patognomônicas da hanseníase lepromatosa e indicam uma infecção sistêmica crônica com disseminação hematogênica para o trato uveal, podendo levar à atrofia progressiva da íris e miose paralítica.
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