Dor Abdominal Aguda: Semiologia e Diagnóstico Diferencial

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Professora aposentada de 62 anos apresentou quadro de dor abdominal intensa e encaminhou-se a UPA. Algumas características dos quadros dolorosos abdominais podem auxiliar no diagnóstico e na condução de cada caso. Em relação a essa paciente, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A dor da isquemia mesentérica crônica é contínua e não guarda relação com as refeições
  2. B) A dor da pancreatite aguda classicamente se alivia na posição sentada e com o tronco reclinado para frente
  3. C) A dor da úlcera duodenal se inicia logo após a refeição, mas melhora espontaneamente após algumas horas
  4. D) A paciente com peritonite tende a ficar inquieta e agitada

Pérola Clínica

Dor da pancreatite aguda → alívio na posição sentada com tronco reclinado para frente (posição de prece maometana).

Resumo-Chave

A semiologia da dor abdominal é crucial para o diagnóstico diferencial. A posição antálgica na pancreatite aguda, conhecida como posição de prece maometana, é um sinal clássico que ajuda a distinguir essa condição de outras causas de dor abdominal intensa.

Contexto Educacional

A dor abdominal é uma das queixas mais comuns na emergência, exigindo uma semiologia detalhada para o diagnóstico correto. A idade do paciente, comorbidades e características da dor (localização, irradiação, intensidade, fatores de melhora/piora) são fundamentais. Condições como pancreatite aguda, úlcera péptica, isquemia mesentérica e peritonite apresentam padrões dolorosos distintos que, se bem reconhecidos, guiam a investigação e o manejo. A pancreatite aguda, por exemplo, é caracterizada por dor epigástrica intensa que irradia para o dorso e pode ser aliviada pela posição de prece maometana. Já a isquemia mesentérica crônica cursa com dor pós-prandial e sitiofobia, enquanto a úlcera duodenal tem dor que melhora com a alimentação. A peritonite, por sua vez, causa dor intensa e piora com o movimento, levando o paciente a permanecer imóvel. O manejo inicial da dor abdominal envolve analgesia adequada e investigação etiológica. A identificação precoce de sinais de gravidade, como peritonite ou instabilidade hemodinâmica, é crucial para evitar complicações e garantir um desfecho favorável. O conhecimento aprofundado da semiologia da dor abdominal é uma ferramenta poderosa para o médico residente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da dor da pancreatite aguda?

A dor da pancreatite aguda é tipicamente epigástrica, irradiando para o dorso, e classicamente alivia na posição sentada com o tronco reclinado para frente, conhecida como posição de prece maometana.

Como diferenciar a dor da úlcera duodenal da úlcera gástrica?

A dor da úlcera duodenal geralmente melhora com a alimentação e retorna 2-4 horas após, enquanto a dor da úlcera gástrica tende a piorar com a alimentação.

Quais as características da dor na isquemia mesentérica crônica?

A dor da isquemia mesentérica crônica é tipicamente pós-prandial, intensa, tipo cólica, e leva a 'medo de comer' (sitiofobia), diferente da dor contínua sem relação com refeições.

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