SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Mulher de 31 anos com quadro de dor abdominal de início há 3 dias, em região periumbilical, associada a distensão, diarreia e vômitos. O vômito tem aspecto esverdeado com resíduos alimentares, evoluindo para vômitos biliosos. A diarreia é líquida e com pouco resíduo. Realizou cirurgia há 2 semanas para histerectomia transabdominal devido a mioma volumoso. Uma radiografia é solicitada.Qual o diagnóstico mais provável?
Dor abdominal, distensão, vômitos biliosos + diarreia pós-cirurgia recente → Semiobstrução intestinal por brida.
A presença de dor abdominal, distensão, vômitos progressivos (de resíduos para biliosos) e diarreia com pouco resíduo, especialmente após uma cirurgia abdominal recente, é altamente sugestiva de semiobstrução intestinal por brida. A diarreia diferencia da obstrução completa e do íleo paralítico.
A dor abdominal pós-operatória é uma queixa comum, mas a persistência ou agravamento dos sintomas, como distensão, vômitos e alterações do hábito intestinal, deve levantar a suspeita de complicações graves, como a obstrução intestinal. A histerectomia transabdominal, por ser uma laparotomia, aumenta o risco de formação de aderências (bridas), que são a principal causa de obstrução intestinal no pós-operatório tardio. Os sintomas clássicos de obstrução intestinal incluem dor abdominal tipo cólica, distensão, náuseas e vômitos. A progressão dos vômitos de resíduos alimentares para biliosos indica uma obstrução mais proximal. A presença de diarreia, mesmo que líquida e com pouco resíduo, é um achado importante que sugere uma semiobstrução (obstrução parcial), onde algum conteúdo ainda consegue passar. Isso a diferencia de uma obstrução completa ou de um íleo paralítico, que geralmente cursam com ausência de eliminação de gases e fezes. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e exame físico, e a radiografia abdominal é um exame inicial útil para evidenciar sinais de obstrução. O tratamento da semiobstrução por brida pode variar de manejo conservador (jejum, hidratação, sonda nasogástrica) a intervenção cirúrgica, dependendo da gravidade e da resposta do paciente. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações como isquemia e necrose intestinal.
O principal fator de risco é a história de cirurgia abdominal prévia, especialmente laparotomias. As aderências (bridas) formadas no processo de cicatrização podem estrangular ou ocluir o lúmen intestinal, causando obstrução.
A semiobstrução é uma obstrução mecânica parcial, que pode apresentar dor tipo cólica, vômitos e, por vezes, diarreia. O íleo paralítico é uma disfunção motora intestinal, com dor mais difusa, ausência de ruídos hidroaéreos e ausência de eliminação de gases ou fezes, sem diarreia.
A radiografia abdominal pode mostrar alças intestinais dilatadas com níveis hidroaéreos, sugerindo obstrução. Embora não seja definitiva para diferenciar semiobstrução de obstrução completa, ela é um exame inicial importante para confirmar a suspeita.
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