Semaglutida e Cirurgia: Manejo do Risco de Aspiração

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 34 anos. IMC 31kg/m². Em uso de semaglutida semanal. Admitida na emergência com quadro colecistite aguda.Em relação a conduta cirúrgica, assinale a adequada:

Alternativas

  1. A) Prescrever antibióticos, suspender a semaglutida e operar em 1 semana.
  2. B) Seguir normalmente com a cirurgia e acompanhar a glicemia no pós-op 4/4h.
  3. C) Tratar clinicamente. A REMIT com semaglutida ocasiona a hipoglicemia severa.
  4. D) Cirurgia de urgência, fazer indução anestésica de paciente de estômago cheio.
  5. E) Como é um análogo do glucagon, podemos seguir com a conduta cirúrgica padrão

Pérola Clínica

Semaglutida retarda esvaziamento gástrico → Risco aspiração em cirurgia de urgência → Indução estômago cheio.

Resumo-Chave

Pacientes em uso de análogos de GLP-1, como a semaglutida, apresentam esvaziamento gástrico retardado. Em situações de cirurgia de urgência, isso aumenta significativamente o risco de aspiração pulmonar durante a indução anestésica, exigindo manejo como paciente de estômago cheio.

Contexto Educacional

A semaglutida, um análogo do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), é amplamente utilizada no tratamento de diabetes mellitus tipo 2 e obesidade. Sua ação principal inclui a estimulação da secreção de insulina glicose-dependente, supressão da secreção de glucagon e, crucialmente, o retardo do esvaziamento gástrico. Este último efeito, embora benéfico para o controle glicêmico e saciedade, representa um desafio significativo no contexto perioperatório. O retardo do esvaziamento gástrico aumenta o volume e a acidez do conteúdo estomacal, elevando o risco de aspiração pulmonar durante a indução anestésica, mesmo após o período de jejum padrão. Para pacientes em uso de semaglutida que necessitam de cirurgia de urgência, a conduta deve ser a de um paciente com 'estômago cheio', o que implica na realização de uma indução de sequência rápida para proteger as vias aéreas. A suspensão da medicação em cirurgias eletivas deve ser discutida, geralmente por pelo menos uma semana antes do procedimento. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam cientes dessa interação fármaco-anestesia para garantir a segurança do paciente. A colecistite aguda, por exemplo, frequentemente requer intervenção cirúrgica de urgência, tornando a avaliação do uso de semaglutida um ponto crítico no preparo pré-operatório. A monitorização glicêmica pós-operatória é importante, mas a prioridade imediata é o manejo do risco de aspiração.

Perguntas Frequentes

Quais os riscos da semaglutida em pacientes cirúrgicos?

A semaglutida retarda o esvaziamento gástrico, aumentando o risco de aspiração pulmonar durante a indução anestésica, especialmente em cirurgias de urgência.

Como manejar um paciente em uso de semaglutida para cirurgia de urgência?

Deve-se considerar o paciente como de estômago cheio, realizando indução de sequência rápida para minimizar o risco de aspiração.

Por que a semaglutida retarda o esvaziamento gástrico?

Como análogo do GLP-1, a semaglutida mimetiza os efeitos incretínicos, incluindo a redução da motilidade gástrica, o que prolonga o tempo de permanência do alimento no estômago.

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