AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2022
Um menino de 2 anos apresentava um desenvolvimento no 50º percentil para peso, altura e perímetro cefálico, mas nos últimos 6 meses ele reduziu o percentil do peso para um pouco mais que o 25º percentil e manteve-se no percentil de estatura. A gravidez foi normal, o desenvolvimento está dentro do esperado e a família não relata problemas psicossociais. A mãe relata que a criança passou a ser um comedor seletivo (apenas macarrão com queijo em todas as refeições) apesar da insistência na oferta de alimentos variados. As refeições são marcadas por muita frustração para todos. Seu exame físico é normal. Qual das alternativas a seguir é o melhor próximo passo em seus cuidados?
Criança com seletividade alimentar, queda de peso leve (50º→25º percentil), altura mantida e EF normal → Aconselhamento familiar e tranquilização.
A seletividade alimentar é comum em crianças pequenas e, na ausência de outros sinais de alerta (desenvolvimento atrasado, exame físico alterado, queda de altura), a conduta inicial é tranquilizar a família e oferecer orientações sobre hábitos alimentares saudáveis.
A seletividade alimentar, ou "picky eating", é uma queixa comum na pediatria, especialmente em crianças na faixa etária de 1 a 5 anos. Caracteriza-se pela recusa em comer uma variedade de alimentos, preferindo um repertório limitado. Embora possa ser frustrante para os pais, na maioria dos casos, é uma fase normal do desenvolvimento infantil, onde a criança busca autonomia e explora seu ambiente. Neste cenário clínico, o menino de 2 anos apresenta uma queda de peso do 50º para o 25º percentil, enquanto a altura se mantém no 50º. Este padrão, conhecido como "desaceleração do crescimento" ou "faltering growth" benigno, é comum em crianças com seletividade alimentar que, apesar de comerem pouco ou de forma restrita, conseguem manter um crescimento linear adequado e um desenvolvimento neuropsicomotor normal. A ausência de outros sinais de alerta no exame físico e na história clínica (como vômitos, diarreia, infecções recorrentes, atraso de desenvolvimento) reforça a natureza benigna da situação. O melhor próximo passo é tranquilizar a família e oferecer aconselhamento sobre estratégias para lidar com a seletividade alimentar. Isso inclui oferecer alimentos variados sem pressão, permitir que a criança decida a quantidade que come, criar um ambiente de refeição positivo, evitar distrações e envolver a criança na escolha e preparo dos alimentos. Investigações mais invasivas, como testes para fibrose cística ou pesquisa de sangue oculto nas fezes, seriam desnecessárias na ausência de sintomas específicos que as justificassem.
A seletividade alimentar é um comportamento comum na infância, onde a criança recusa uma variedade de alimentos, aceitando apenas um número limitado de itens, muitas vezes com preferências por texturas ou cores específicas.
A investigação é necessária se a seletividade alimentar estiver associada a falha de crescimento significativa (queda de altura ou peso para percentis muito baixos), atraso no desenvolvimento, sintomas gastrointestinais, ou sinais de deficiências nutricionais.
Os pais devem oferecer uma variedade de alimentos de forma consistente, sem pressão, criar um ambiente de refeição positivo, envolver a criança na preparação e dar o exemplo, entendendo que a aceitação de novos alimentos pode levar múltiplas exposições.
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