INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma paciente com 33 anos de idade foi internada para procedimento cirúrgico de ressecção segmentar da mama direita, para retirada de tumor mamário local com margem de ressecção. Na chegada ao hospital fez sua identificação na área de internação, tendo sido colocada pulseira de identificação com anotação de alergia a dipirona. Na chegada do cirurgião ao hospital, o mesmo foi rapidamente ao quarto para o preenchimento de termo de consentimento da paciente. O anestesista já estava lhe aguardando no centro cirúrgico, tendo sido solicitado o encaminhamento da paciente para a sala operatória. O maqueiro entrou no quarto, juntamente com a enfermeira do andar, que realizou nova identificação da paciente e colocou-a na maca para transporte. Ao chegar ao centro cirúrgico ocorreu mais uma checagem relativa à identificação da paciente pela enfermeira chefe do centro cirúrgico, tendo encaminhado a paciente para a sua respectiva sala operatória. Após a anestesia geral foi iniciado pelo cirurgião o procedimento operatório, com sinalização ao final da cirurgia da falta de fio de sutura adequado. Foi constatado pela circulante de sala que o fio solicitado encontrava-se em falta no hospital, tendo como solução a utilização de outra alternativa disponível, que levou a resultado estético não satisfatório.Diante dessa situação, identifique e descreva, de acordo com as etapas preventivas preconizadas para a segurança do paciente pelo Programa Nacional de Segurança do Paciente, estabelecido pela Portaria n. 529/2013, do Ministério da Saúde, as ações preventivas que foram realizadas e aquelas que deveriam ter sido feitas no caso apresentado.
Checklist de Cirurgia Segura incompleto → Falha na conferência de insumos → Evento adverso evitável.
A segurança do paciente exige a verificação sistemática de materiais e equipamentos antes da indução anestésica (Time-out), não se limitando apenas à identificação correta.
O Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) é um marco na saúde pública brasileira, focando na redução de danos desnecessários associados ao cuidado. No contexto cirúrgico, a implementação do checklist não é apenas uma tarefa burocrática, mas uma ferramenta de comunicação e barreira contra erros. A questão ilustra que, embora a identificação do paciente tenha sido realizada corretamente em múltiplas etapas, a falha na verificação da infraestrutura (fio de sutura) resultou em um desfecho estético insatisfatório. A análise de incidentes sob a ótica da Portaria 529/2013 exige identificar falhas nos processos. A ação preventiva realizada foi a identificação redundante da paciente. A ação que deveria ter sido feita era a conferência pré-operatória rigorosa de materiais e equipamentos pela equipe de enfermagem e cirúrgica antes do início do ato anestésico-cirúrgico, garantindo que todos os recursos necessários estivessem prontos para uso.
A Portaria 529/2013 institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), que visa qualificar o cuidado em saúde em todos os estabelecimentos do território nacional. Ela define diretrizes para a gestão de riscos e a implementação de protocolos básicos, como identificação do paciente, cirurgia segura, higienização das mãos, segurança na prescrição de medicamentos, prevenção de quedas e de lesões por pressão. O objetivo central é reduzir a incidência de eventos adversos, promovendo uma cultura de segurança institucionalizada.
O checklist da OMS é dividido em três momentos críticos: 1. Antes da indução anestésica (Sign-in), onde se confirma identificação, sítio cirúrgico, consentimento e riscos (via aérea, perda sanguínea); 2. Antes da incisão cirúrgica (Time-out), momento de pausa para confirmar a equipe, o procedimento e a disponibilidade de materiais/exames; 3. Antes do paciente sair da sala (Sign-out), para contagem de compressas, identificação de amostras e revisão do plano de recuperação. No caso clínico, a falha ocorreu no Time-out ao não verificar a falta do fio de sutura.
A falta de insumos adequados durante um procedimento invasivo é considerada uma falha sistêmica que compromete o desfecho clínico. De acordo com os protocolos de cirurgia segura, a confirmação da disponibilidade de todos os materiais e equipamentos necessários deve ocorrer antes da incisão. Quando um material essencial falta no meio da cirurgia, a equipe é forçada a improvisar ou utilizar alternativas subótimas, o que aumenta o risco de complicações infecciosas, funcionais ou estéticas, configurando um evento adverso evitável.
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