Segurança Cirúrgica: Antissepsia e Protocolos

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 45 anos de idade, vítima de trauma em colisão de moto com automóvel, deu entrada na urgência com instabilidade hemodinâmica, foi submetido à laparotomia exploradora de emergência, sendo identificado trauma esplênico grave e realizado esplenectomia total. O paciente apresentava também fratura exposta dos membros inferiores, sendo submetido à fixação externa das duas pernas pela ortopedia, para posterior fixação definitiva das fraturas em segundo tempo. O paciente evoluiu com melhora hemodinâmica e sem queixas no pós-operatório. Diante deste caso clínico:Quanto ao protocolo universal de segurança cirúrgica e o preparo do paciente, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O antibiótico profilático deve ser administrado no momento da incisão cirúrgica.
  2. B) A lateralidade de procedimento cirúrgico deve ser estabelecida na sala da cirurgia.
  3. C) A tricotomia deve ser feita na sala cirúrgica, com uso de lâmina estéril de bisturi.
  4. D) A clorexidina alcoólica é mais eficaz que a solução de iodo povidine na prevenção de infecção.

Pérola Clínica

Clorexidina alcoólica > Povidine para prevenir ISC; Tricotomia apenas se necessário e com tricotomizador.

Resumo-Chave

A antissepsia com clorexidina alcoólica é superior ao iodo-povidine devido à sua ação residual e menor inativação por matéria orgânica na prevenção de infecções.

Contexto Educacional

O Protocolo de Cirurgia Segura da OMS visa reduzir a morbimortalidade perioperatória através de passos simples e verificáveis. Entre as medidas mais eficazes para prevenir a Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC) estão a escolha correta do antisséptico cutâneo, a manutenção da normotermia e normoglicemia, e a administração oportuna de antibióticos. A evidência atual favorece fortemente o uso de soluções alcoólicas de clorexidina para a preparação da pele do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que a clorexidina alcoólica é preferível ao iodo-povidine?

Estudos demonstram que a clorexidina alcoólica reduz significativamente as taxas de infecção de sítio cirúrgico (ISC) em comparação com soluções de iodo-povidine. A clorexidina possui uma forte afinidade com a pele, proporcionando um efeito residual prolongado (até 6 horas), e não é inativada por sangue ou exsudatos de forma tão marcante quanto o iodo. Além disso, o componente alcoólico potencializa a velocidade de ação bactericida inicial.

Qual a recomendação atual sobre a tricotomia?

A recomendação atual é não realizar a remoção de pelos, a menos que eles interfiram diretamente no procedimento. Se necessária, a tricotomia deve ser feita imediatamente antes da cirurgia, fora da sala cirúrgica (ou conforme protocolo institucional), utilizando-se tricotomizadores elétricos (clippers). O uso de lâminas de barbear (razors) é contraindicado, pois causa microabrasões na pele que servem de nicho para colonização bacteriana, aumentando o risco de ISC.

Quando deve ser administrada a antibioticoprofilaxia?

O antibiótico profilático deve ser administrado, idealmente, entre 30 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica (ou até 120 minutos para vancomicina ou fluoroquinolonas), para garantir que os níveis teciduais da droga estejam em sua concentração máxima no momento da abertura da pele. Administrar exatamente no momento da incisão pode não garantir cobertura adequada desde o início do procedimento, falhando no objetivo preventivo.

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