Hanseníase: Classificação, Nervos e Reações Hansênicas

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023

Enunciado

Segundo dados do Ministério da Saúde do Brasil, apesar da redução drástica no número de casos, de 19 para 4,68 doentes em cada 10.000 habitantes, no período compreendido entre 1985 a 2000, a hanseníase ainda se constitui em um problema de saúde pública que exige vigilância resolutiva. Há mais de 30 anos, o país reestrutura suas ações voltadas para este problema e objetiva alcançar o índice de menos de um doente em cada 10.000 habitantes. A hanseníase é fácil de diagnosticar, tratar e tem cura, no entanto, quando diagnosticada e tratada tardiamente, pode causar graves consequências para os portadores e seus familiares, pelas lesões que os incapacitam fisicamente. Sobre a hanseníase, responda:[A] Qual a Classificação operacional para fins quimioterápicos?[B] Cite cinco nervos acometidos na doença. [C] Defina reação tipo 1 e reação tipo 2. [D] Explique as diferenças entre tratamento Paucibacilar e Multibacilar. 

Alternativas

Pérola Clínica

PB ≤ 5 lesões (6 meses); MB > 5 lesões (12 meses). Nervos: Ulnar e Tibial são os mais afetados.

Resumo-Chave

A hanseníase é classificada operacionalmente pelo número de lesões cutâneas para definir o esquema de poliquimioterapia (PQT) e a duração do tratamento.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com alta afinidade por células da pele e células de Schwann dos nervos periféricos. O Brasil permanece como um país de alta endemicidade, tornando o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno cruciais para interromper a cadeia de transmissão e prevenir incapacidades físicas permanentes. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na identificação de áreas da pele com alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) e comprometimento de nervos periféricos. O tratamento é realizado com a Poliquimioterapia Única (PQT-U), que combina Rifampicina, Dapsona e Clofazimina. Pacientes Paucibacilares (PB) realizam o tratamento por 6 meses (6 doses supervisionadas), enquanto pacientes Multibacilares (MB) tratam por 12 meses (12 doses supervisionadas). O manejo das reações hansênicas é uma parte vital do cuidado, exigindo o uso de corticoides (prednisona) para a Reação Tipo 1 e Talidomida ou corticoides para a Reação Tipo 2, visando sempre a prevenção de danos neurais irreversíveis.

Perguntas Frequentes

Como funciona a classificação operacional da hanseníase?

A classificação operacional do Ministério da Saúde baseia-se no número de lesões cutâneas para fins de tratamento: Paucibacilar (PB) para casos com até 5 lesões cutâneas e Multibacilar (MB) para casos com mais de 5 lesões cutâneas. Se houver baciloscopia positiva, o caso é automaticamente classificado como Multibacilar, independentemente do número de lesões. Essa classificação define se o paciente receberá 6 ou 12 doses de PQT.

Quais são os principais nervos periféricos avaliados na hanseníase?

Os nervos periféricos mais comumente acometidos e que devem ser obrigatoriamente avaliados são: Nervo Ulnar (causa garra ulnar), Nervo Mediano (perda da oponência do polegar), Nervo Radial (mão caída), Nervo Fibular Comum (pé caído) e Nervo Tibial Posterior (insensibilidade da planta do pé). O espessamento neural e a dor à palpação desses troncos nervosos são sinais cardinais da doença.

Qual a diferença entre as reações hansênicas tipo 1 e tipo 2?

A Reação Tipo 1 (Reação Reversa) é uma resposta de hipersensibilidade celular tardia, caracterizada por inflamação aguda de lesões antigas, surgimento de novas lesões eritematosas e neurites. A Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico) é mediada por imunocomplexos, ocorrendo principalmente em pacientes multibacilares, manifestando-se com nódulos subcutâneos dolorosos, febre, artralgia, orquites e mal-estar geral.

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