Sífilis Tratada: Interpretação do VDRL e Conduta de Seguimento

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Homem de 20 anos, assintomático, comparece à consulta para apresentar resultados de sorologias realizadas na semana anterior: FTA-ABs reagente; VDRL reagente em título 1/8. No prontuário, consta a informação que o paciente havia sido tratado para sífilis secundária, há três meses, com dose única de 2,4 milhões UI de penicilina benzatina. À época, apresentava VDRL reagente em título 1/256. Qual a conduta recomendada?

Alternativas

  1. A) Indicar punção lombar.
  2. B) Repetir VDRL dentro de três meses.
  3. C) Retratar com doxiciclina oral por 14 dias.
  4. D) Retratar com duas doses de penicilina benzatina.

Pérola Clínica

Sífilis tratada com queda de título VDRL ≥ 4x (2 diluições) → Resposta adequada, repetir VDRL em 3 meses.

Resumo-Chave

O critério de cura sorológica para sífilis tratada é uma queda de pelo menos 4 vezes (ou 2 diluições) no título do VDRL em 6 a 12 meses após o tratamento. Neste caso, o título caiu de 1/256 para 1/8, o que representa uma queda de 5 diluições (256 -> 128 -> 64 -> 32 -> 16 -> 8), indicando resposta terapêutica adequada. O FTA-Abs permanece reagente por toda a vida.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, com diversas apresentações clínicas e estágios. O diagnóstico e o tratamento adequados são cruciais para prevenir complicações graves e a transmissão. Após o tratamento, o seguimento sorológico é fundamental para avaliar a resposta terapêutica e identificar possíveis falhas. O monitoramento da resposta ao tratamento da sífilis é feito principalmente através de testes não treponêmicos, como o VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) ou RPR (Rapid Plasma Reagin). O critério de cura sorológica é uma queda de pelo menos quatro vezes (duas diluições) no título do VDRL em 6 a 12 meses após o tratamento. Por exemplo, uma queda de 1/256 para 1/8 é uma redução de 5 diluições (256 -> 128 -> 64 -> 32 -> 16 -> 8), indicando uma resposta adequada. Testes treponêmicos, como o FTA-Abs (Fluorescent Treponemal Antibody Absorption), permanecem reagentes por toda a vida na maioria dos indivíduos, independentemente do tratamento, e não devem ser usados para monitorar a resposta terapêutica. Neste caso, o paciente teve uma queda significativa do VDRL após o tratamento para sífilis secundária. Portanto, a conduta é continuar o seguimento sorológico, repetindo o VDRL em três meses para confirmar a manutenção da queda ou a sorofixação em baixo título, sem necessidade de retratamento imediato ou punção lombar, visto que não há sinais de falha terapêutica ou neurosífilis.

Perguntas Frequentes

Quando considerar falha terapêutica no tratamento da sífilis?

Falha terapêutica é considerada se não houver queda de pelo menos 4 vezes (2 diluições) no título do VDRL em 6 a 12 meses após o tratamento, ou se houver aumento persistente do título, ou se os sintomas clínicos persistirem ou recorrerem.

Qual a importância do FTA-Abs após o tratamento da sífilis?

O FTA-Abs (e outros testes treponêmicos) geralmente permanece reagente por toda a vida, mesmo após o tratamento bem-sucedido. Ele indica exposição prévia à sífilis e não é útil para monitorar a resposta ao tratamento.

Em que situações a punção lombar é indicada no seguimento da sífilis?

A punção lombar para investigar neurosífilis é indicada em casos de falha terapêutica comprovada, sinais ou sintomas neurológicos/oftálmicos, ou em pacientes com HIV e títulos de VDRL persistentemente altos após tratamento.

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