Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Uma lactente com 6 meses de idade, com histórico de tratamento para sífilis logo ao nascimento, em acompanhamento ambulatorial, apresenta títulos mantidos de teste não treponêmico, realizados no mesmo laboratório. Criança sem sinais clínicos e evoluindo bem. Nesse caso, a conduta deve ser:
VDRL não reagente aos 6 meses ou títulos ascendentes/estáveis → Investigar neurosífilis + retratar.
Lactentes tratados para sífilis congênita devem apresentar queda de títulos de VDRL; a persistência ou ascensão de títulos após 6 meses indica falha terapêutica, exigindo nova investigação completa, incluindo líquor.
O seguimento da sífilis congênita é rigoroso devido ao risco de sequelas tardias e neurosífilis assintomática. O protocolo brasileiro recomenda a realização de VDRL aos 1, 3, 6, 12 e 18 meses de vida. O esperado é que o VDRL apresente queda progressiva, tornando-se não reagente até os 6 meses de idade. Se os títulos se mantêm estáveis ou sobem, a criança deve ser submetida a uma nova investigação diagnóstica completa: hemograma, radiografia de ossos longos e, crucialmente, a punção lombar para análise do líquor. A conduta de apenas administrar penicilina benzatina ou tratar sem investigar o líquor é tecnicamente incorreta, pois a neurosífilis exige doses específicas de penicilina cristalina e monitoramento intra-hospitalar. O teste treponêmico só é definitivo para diagnóstico após os 18 meses, devido à transferência de anticorpos maternos.
A falha é considerada quando há elevação dos títulos de testes não treponêmicos (VDRL/RPR) em duas diluições, ou quando os títulos permanecem estáveis (sem queda de pelo menos duas diluições) após 6 meses de acompanhamento em crianças tratadas adequadamente ao nascimento. Nesses casos, a reinfecção ou falha terapêutica deve ser investigada.
A persistência dos títulos sorológicos sugere que o Treponema pallidum ainda está ativo no organismo. Como o sistema nervoso central é um 'santuário' para a bactéria, a avaliação do líquor (celularidade, bioquímica e VDRL) é obrigatória para descartar neurosífilis, o que altera o tempo e o tipo de penicilina a ser utilizada no retratamento.
Caso a investigação (incluindo líquor) confirme a persistência da infecção, o tratamento deve ser reiniciado. Se houver alteração liquórica (neurosífilis), utiliza-se Penicilina G Cristalina (150.000 UI/kg/dia, IV, por 10 dias). Se o líquor estiver normal, mas houver outros critérios de falha, o tratamento segue o protocolo de sífilis congênita com penicilina parenteral por 10 dias.
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