UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menina, 18m, fez tratamento de sífilis congênita no período neonatal e apresenta teste não treponêmico reagente 1:2. A conduta é:
VDRL reagente aos 18 meses em criança tratada ao nascimento → Falha ou Reinfeção → Retratar.
Aos 18 meses, anticorpos maternos já desapareceram. Qualquer título de VDRL reagente nesta idade, em criança previamente tratada, exige nova investigação e retratamento imediato.
O manejo da sífilis congênita é um dos temas mais recorrentes em provas de residência e na prática pediátrica brasileira. O protocolo do Ministério da Saúde é rigoroso quanto ao seguimento: consultas mensais até os 6 meses e trimestrais até os 18 meses. A persistência de testes não treponêmicos reagentes após o primeiro ano de vida é um sinal de alerta crítico. A fisiopatologia da persistência sorológica envolve a manutenção da atividade espiroquetal, seja por doses insuficientes de penicilina, má adesão ao tratamento dos parceiros (gerando reinfecção da mãe e, consequentemente, da criança) ou santuários biológicos. O tratamento de escolha permanece sendo a Penicilina G Cristalina ou Procaína, dependendo do envolvimento do sistema nervoso central.
O seguimento sorológico da sífilis congênita prevê a queda progressiva dos títulos de testes não treponêmicos. Espera-se que o VDRL negative até os 6 meses de idade ou, no máximo, que os anticorpos maternos desapareçam completamente até os 18 meses. Se a criança foi tratada adequadamente ao nascimento e mantém títulos reagentes aos 18 meses, isso é interpretado tecnicamente como falha do tratamento inicial ou uma nova infecção (reinfecção), exigindo uma nova avaliação clínica completa, incluindo punção lombar para descartar neurosífilis, e o início de um novo esquema terapêutico conforme o protocolo vigente.
Os testes treponêmicos (como o FTA-Abs ou testes rápidos) não devem ser utilizados para o seguimento rotineiro da cura da sífilis congênita antes dos 18 meses, pois detectam anticorpos IgG que atravessam a placenta. No entanto, após os 18 meses, se um teste treponêmico for reagente, ele confirma que a criança produziu seus próprios anticorpos contra o Treponema pallidum, indicando infecção efetiva. No caso da questão, o VDRL reagente já é suficiente para indicar a falha terapêutica, mas o teste treponêmico após essa idade serve como confirmação definitiva da exposição da criança.
Ao identificar uma falha terapêutica ou reinfecção aos 18 meses, o médico deve realizar uma investigação completa. Isso inclui exame físico detalhado em busca de estigmas de sífilis tardia, hemograma, radiografia de ossos longos e, crucialmente, a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) através de punção lombar para avaliar celularidade, proteinorraquia e VDRL no líquor. Mesmo na ausência de sintomas, o retratamento é obrigatório para prevenir complicações tardias da doença, como a ceratite intersticial, surdez neurossensorial e deformidades ósseas.
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