Sífilis Congênita: Conduta no VDRL Reagente aos 18 Meses

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menina, 18m, fez tratamento de sífilis congênita no período neonatal e apresenta teste não treponêmico reagente 1:2. A conduta é:

Alternativas

  1. A) Reavaliação e retratamento para sífilis.
  2. B) Realizar teste treponêmico com 24 meses.
  3. C) Repetir teste não treponêmico com 24 meses.
  4. D) Seguimento de puericultura, criança curada.

Pérola Clínica

VDRL reagente aos 18 meses em criança tratada ao nascimento → Falha ou Reinfeção → Retratar.

Resumo-Chave

Aos 18 meses, anticorpos maternos já desapareceram. Qualquer título de VDRL reagente nesta idade, em criança previamente tratada, exige nova investigação e retratamento imediato.

Contexto Educacional

O manejo da sífilis congênita é um dos temas mais recorrentes em provas de residência e na prática pediátrica brasileira. O protocolo do Ministério da Saúde é rigoroso quanto ao seguimento: consultas mensais até os 6 meses e trimestrais até os 18 meses. A persistência de testes não treponêmicos reagentes após o primeiro ano de vida é um sinal de alerta crítico. A fisiopatologia da persistência sorológica envolve a manutenção da atividade espiroquetal, seja por doses insuficientes de penicilina, má adesão ao tratamento dos parceiros (gerando reinfecção da mãe e, consequentemente, da criança) ou santuários biológicos. O tratamento de escolha permanece sendo a Penicilina G Cristalina ou Procaína, dependendo do envolvimento do sistema nervoso central.

Perguntas Frequentes

Por que o VDRL reagente aos 18 meses indica retratamento?

O seguimento sorológico da sífilis congênita prevê a queda progressiva dos títulos de testes não treponêmicos. Espera-se que o VDRL negative até os 6 meses de idade ou, no máximo, que os anticorpos maternos desapareçam completamente até os 18 meses. Se a criança foi tratada adequadamente ao nascimento e mantém títulos reagentes aos 18 meses, isso é interpretado tecnicamente como falha do tratamento inicial ou uma nova infecção (reinfecção), exigindo uma nova avaliação clínica completa, incluindo punção lombar para descartar neurosífilis, e o início de um novo esquema terapêutico conforme o protocolo vigente.

Qual o papel dos testes treponêmicos no seguimento da sífilis congênita?

Os testes treponêmicos (como o FTA-Abs ou testes rápidos) não devem ser utilizados para o seguimento rotineiro da cura da sífilis congênita antes dos 18 meses, pois detectam anticorpos IgG que atravessam a placenta. No entanto, após os 18 meses, se um teste treponêmico for reagente, ele confirma que a criança produziu seus próprios anticorpos contra o Treponema pallidum, indicando infecção efetiva. No caso da questão, o VDRL reagente já é suficiente para indicar a falha terapêutica, mas o teste treponêmico após essa idade serve como confirmação definitiva da exposição da criança.

Quais exames solicitar na reavaliação de falha terapêutica?

Ao identificar uma falha terapêutica ou reinfecção aos 18 meses, o médico deve realizar uma investigação completa. Isso inclui exame físico detalhado em busca de estigmas de sífilis tardia, hemograma, radiografia de ossos longos e, crucialmente, a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) através de punção lombar para avaliar celularidade, proteinorraquia e VDRL no líquor. Mesmo na ausência de sintomas, o retratamento é obrigatório para prevenir complicações tardias da doença, como a ceratite intersticial, surdez neurossensorial e deformidades ósseas.

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