Mola Hidatiforme: Seguimento Pós-Esvaziamento e hCG

CHN - Complexo Hospitalar de Niterói (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Primigesta, 40 anos submetida ao esvaziamento de Mola Hidatiforme completa há 42 dias tem os seguintes valores de hCG= 80.000mUl/mL, 7.000mUl/mL, 3.000mUUmL, respectivamente: pré-esvaziamento, 28 e 35 dias após. Apresenta sangramento genital discreto há 3 dias.Assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) afastar restos molares através de ultrassonografia pélvica transvaginal
  2. B) oferecer quimioterapia profilática com Actinomicina D devido ao sangramento genital
  3. C) evolução normal, repetir {3 HCG semanalmente até atingir valor abaixo de 5 mUl/mL
  4. D) iniciar quimioterapia para neoplasia trofoblástica gestacional com metotrexate
  5. E) indicar histerectomia profilática devido a idade materna e dispensar seguimento posterior

Pérola Clínica

Pós-esvaziamento molar, queda contínua de hCG é normal; sangramento discreto pode ocorrer. Manter seguimento semanal até hCG < 5 mUI/mL.

Resumo-Chave

Após o esvaziamento de uma mola hidatiforme, o seguimento do beta-hCG é crucial para monitorar a regressão da doença. A queda progressiva dos níveis de hCG, mesmo com sangramento discreto, indica uma evolução favorável. A quimioterapia só é indicada se houver plateau ou elevação dos níveis de hCG, ou persistência de níveis elevados após um período de tempo específico.

Contexto Educacional

A mola hidatiforme é uma forma de doença trofoblástica gestacional caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. Após o esvaziamento uterino, seja por aspiração ou curetagem, o seguimento rigoroso dos níveis séricos de beta-hCG é fundamental para monitorar a regressão da doença e identificar precocemente a ocorrência de neoplasia trofoblástica gestacional (NTG), que pode ser invasiva ou metastática. A mola completa tem um risco maior de NTG do que a mola parcial. O seguimento padrão envolve a dosagem semanal de beta-hCG até que os níveis se tornem indetectáveis (<5 mUI/mL) por três semanas consecutivas, e então mensalmente por 6 a 12 meses, dependendo do risco. Uma queda contínua dos níveis de hCG, como observado no caso, é um sinal de boa evolução. Sangramentos genitais discretos podem ocorrer no período pós-esvaziamento devido à involução uterina normal, mas devem ser avaliados em conjunto com a curva de hCG. O tratamento da NTG é baseado em quimioterapia, sendo o metotrexato ou a actinomicina D as drogas de primeira linha para doença de baixo risco. A histerectomia profilática não é uma conduta padrão, sendo reservada para casos selecionados, como pacientes que não desejam mais gestar e apresentam doença resistente à quimioterapia. A idade materna avançada é um fator de risco para mola, mas não indica histerectomia profilática por si só.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de neoplasia trofoblástica gestacional (NTG) pós-molar?

Os critérios da FIGO para NTG incluem um plateau de hCG (variação <10%) em 4 medições semanais ou mais, um aumento de hCG de 10% ou mais em 3 medições semanais ou mais, persistência de hCG detectável por mais de 6 meses após o esvaziamento, ou diagnóstico histopatológico de coriocarcinoma.

Por que o seguimento do beta-hCG é tão importante após o esvaziamento de uma mola hidatiforme?

O beta-hCG é um marcador tumoral para o tecido trofoblástico. Seu seguimento semanal permite monitorar a regressão da doença e detectar precocemente a persistência ou recorrência do tecido trofoblástico, que pode evoluir para neoplasia trofoblástica gestacional, uma condição potencialmente maligna.

Quando a quimioterapia profilática é indicada após o esvaziamento de uma mola hidatiforme?

A quimioterapia profilática não é rotineiramente indicada após o esvaziamento de mola hidatiforme completa. Ela é reservada para casos de alto risco de NTG, como níveis de hCG muito elevados pré-esvaziamento, idade materna avançada, ou em situações onde o seguimento do hCG não pode ser garantido.

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