UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020
No que se refere à analgesia e à sedação do paciente grave, internado em UTI, uma preocupação atual é a tolerância que esses pacientes desenvolvem aos fármacos utilizados. Nesse sentido, todas as afirmativas abaixo estão corretas, exceto:
Infusão contínua de sedativos ↑ risco de tolerância e abstinência; interrupção diária ↓.
A infusão contínua de sedativos e analgésicos em pacientes de UTI, embora proporcione sedação mais constante, aumenta o risco de desenvolvimento de tolerância e síndrome de abstinência. Estratégias como a interrupção diária da sedação e a monitorização são cruciais para minimizar esses riscos e otimizar o manejo.
A sedação e analgesia são componentes essenciais no manejo do paciente grave internado em UTI, visando conforto, redução do estresse e facilitação de procedimentos. No entanto, o uso prolongado e inadequado de sedativos pode levar a complicações significativas, como o desenvolvimento de tolerância, síndrome de abstinência, delirium e prolongamento do tempo de ventilação mecânica e internação. A fisiopatologia da tolerância envolve adaptações nos receptores e vias neurais, exigindo doses cada vez maiores para atingir o mesmo efeito. A infusão contínua, embora proporcione um nível de sedação mais estável, é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de tolerância e dependência. Por outro lado, a interrupção regular da infusão contínua (despertar diário) é uma estratégia comprovada para diminuir o risco de tolerância e reduzir o tempo de ventilação mecânica e internação. O manejo ideal da sedação e analgesia em UTI envolve a utilização de escalas de monitorização (ex: RASS, Ramsay), a preferência por sedação leve, a interrupção diária da sedação para reavaliação e a associação de diferentes fármacos (analgésicos e sedativos) para otimizar o controle da dor e da ansiedade, minimizando os efeitos adversos e o risco de tolerância. O objetivo é manter o paciente confortável, mas responsivo e cooperativo, sempre que possível.
Os riscos incluem aumento do tempo de ventilação mecânica, maior incidência de delirium, desenvolvimento de tolerância e síndrome de abstinência, prolongamento da internação em UTI e maior mortalidade.
A interrupção diária da sedação permite avaliar o nível de consciência do paciente, sua capacidade de cooperar, a necessidade real de sedação e a presença de delirium, além de reduzir a dose total de sedativos e o risco de tolerância e abstinência.
As escalas mais comuns incluem a Escala de Sedação-Agitação de Richmond (RASS) e a Escala de Sedação de Ramsay para sedação, e a Escala Visual Analógica (EVA) ou Escala Comportamental da Dor (BPS) para analgesia em pacientes não comunicativos.
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