UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024
Paciente masculino, 38 anos, casado, sem filhos, tabagista crônico, portador de adenocarcinoma de pulmão avançado com linfangite carcinomatosa e sem possibilidade de tratamento modificador de doença. Em progressão de doença e com dispneia refratária ao uso de opioides em altas doses e demais medidas farmacológicas e não farmacológicas. O mesmo encontra-se internado em enfermaria de cuidados paliativos e sendo acompanhado pela mãe e esposa. Qual afirmativa a seguir está correta quanto ao manejo de sedação paliativa?
Sedação paliativa = redução intencional da consciência para aliviar sintomas refratários em pacientes terminais, sem intenção de abreviar a vida.
A sedação paliativa é uma intervenção terapêutica utilizada em pacientes com doença avançada e terminal que apresentam sintomas refratários, ou seja, que não respondem a outras medidas terapêuticas. Seu objetivo é aliviar o sofrimento, reduzindo o nível de consciência do paciente, e não acelerar a morte.
A sedação paliativa é uma prática complexa e eticamente sensível nos cuidados de fim de vida, destinada a aliviar o sofrimento insuportável de pacientes com doenças avançadas e terminais. Ela é indicada quando todos os outros tratamentos para os sintomas refratários (aqueles que não respondem às intervenções convencionais) falharam. O objetivo primordial é proporcionar conforto, e não abreviar a vida do paciente. A decisão de iniciar a sedação paliativa deve ser cuidadosamente discutida com o paciente (se capaz) e sua família, considerando os princípios da autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. É um processo que exige uma equipe multidisciplinar e uma avaliação contínua do nível de sedação e do alívio dos sintomas. É crucial que residentes e profissionais de saúde compreendam a distinção entre sedação paliativa e eutanásia, bem como as indicações e os medicamentos apropriados para essa intervenção. O manejo da sedação paliativa deve ser realizado em um ambiente que garanta o conforto e a dignidade do paciente, geralmente em enfermaria de cuidados paliativos, sem a necessidade de transferência para UTI, a menos que haja outras indicações clínicas.
A principal indicação para a sedação paliativa é a presença de sintomas refratários, ou seja, sintomas graves e angustiantes que não podem ser controlados por outras intervenções terapêuticas, mesmo com otimização das doses e combinações de medicamentos. Exemplos incluem dispneia intratável, dor incontrolável, delírio agitado e náuseas/vômitos persistentes.
Não, sedação paliativa não é o mesmo que eutanásia. A sedação paliativa tem como objetivo aliviar o sofrimento do paciente, reduzindo seu nível de consciência, sem a intenção de causar a morte. A eutanásia, por outro lado, envolve uma ação intencional para terminar a vida do paciente.
Os medicamentos mais comumente utilizados na sedação paliativa são os benzodiazepínicos, como o midazolam, que induzem sedação. Outros agentes podem incluir neurolépticos (como haloperidol) ou barbitúricos, dependendo da necessidade e da resposta do paciente. Opioides podem ser usados para controle da dor e dispneia, mas não são os sedativos primários na sedação paliativa.
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