Eclâmpsia: Manejo da Crise Convulsiva e Conduta Obstétrica

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 29 anos, secundigesta, com parto normal anterior há 2 anos, 33 semanas de gestação, dá entrada na maternidade com PA = 170 x 120 mmHg e dor epigástrica, dinâmica uterina ausente e colo impérvio; Ao serem iniciadas as medidas de suporte, a paciente apresenta quadro convulsivo. Qual das condutas abaixo é a mais indicada para essa gestante até o parto?

Alternativas

  1. A) Encaminhar a paciente para UTI, iniciar anti-hipertensivos e aguardar até 37 semanas. 
  2. B) Encaminhar a paciente para UTI, iniciair sulfato de magnésio, interromper a gestação 4 horas após estabilização do quadro.
  3. C) Realizar controle pressórico no pré-parto, monitorar batimentos cardíacos fetais e aguardar até 36 semanas.
  4. D) Realizar cesárea de imediato.
  5. E) Iniciar sulfato de magnésio até estabilização do quadro e tratar com anti-hipertensivos até 37 semanas.

Pérola Clínica

Eclâmpsia = convulsão + pré-eclâmpsia grave → Sulfato de magnésio + estabilização + interrupção da gestação.

Resumo-Chave

A eclâmpsia é uma emergência obstétrica caracterizada por convulsões em gestantes com pré-eclâmpsia. O tratamento imediato envolve a prevenção de novas convulsões com sulfato de magnésio e a interrupção da gestação após a estabilização materna, independentemente da idade gestacional.

Contexto Educacional

A eclâmpsia é uma das complicações mais graves da pré-eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões em gestantes, puérperas ou no pós-parto imediato. Sua incidência varia globalmente, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. O reconhecimento precoce dos sinais de pré-eclâmpsia grave e a rápida intervenção são cruciais para evitar a progressão para eclâmpsia. A fisiopatologia da eclâmpsia envolve disfunção endotelial generalizada, vasoconstrição e isquemia, especialmente cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de convulsões em paciente com pré-eclâmpsia. Sinais de alerta incluem cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito. A suspeita deve ser alta em gestantes com hipertensão e proteinúria que desenvolvem sintomas neurológicos. O tratamento da eclâmpsia é uma emergência médica. A conduta inicial visa controlar as convulsões com sulfato de magnésio, estabilizar a pressão arterial com anti-hipertensivos e, após a estabilização materna, proceder à interrupção da gestação. O prognóstico materno e fetal melhora significativamente com o manejo rápido e adequado, mas complicações como edema pulmonar, insuficiência renal e coagulopatia podem ocorrer.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para eclâmpsia?

Eclâmpsia é definida pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma gestante com pré-eclâmpsia, na ausência de outras causas para as convulsões. Pode ocorrer antes, durante ou após o parto.

Qual a principal droga para o tratamento da eclâmpsia e seu mecanismo?

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para prevenir e tratar convulsões na eclâmpsia. Ele age como um anticonvulsivante central, diminuindo a excitabilidade neuronal e a liberação de acetilcolina.

Por que a interrupção da gestação é crucial no manejo da eclâmpsia?

A interrupção da gestação é o tratamento definitivo para a eclâmpsia, pois a doença é causada pela placenta. Após a estabilização materna, o parto deve ser realizado para resolver o quadro e prevenir complicações graves.

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