SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022
O Secretário Municipal de Saúde de uma cidade do interior baiano, conhecendo a epidemiologia local, constatou a importância de um programa de controle da Hanseníase no seu município. Após 5 meses de implantação do programa, o número de casos novos da doença aumentou cerca de 3 vezes. Esta informação foi divulgada na mídia local, causando algum sobressalto entre os moradores.Indique a principal característica da Hanseníase na sua manifestação cutânea, que é determinante para o diagnóstico.
Hanseníase = Mancha cutânea + Alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa ou tátil).
O diagnóstico de hanseníase é essencialmente clínico, fundamentado na presença de lesões de pele com perda ou diminuição de sensibilidade em áreas específicas.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que apresenta um tropismo característico pela pele e pelos nervos periféricos. A patogenia da doença depende da resposta imune do hospedeiro, variando desde formas paucibacilares (com forte resposta celular) até formas multibacilares (com resposta humoral ineficaz e alta carga bacilar). A invasão dos ramos nervosos cutâneos pelos bacilos leva à desmielinização e dano axonal, o que clinicamente se traduz pela perda de sensibilidade. Na prática clínica, qualquer mancha hipocrômica, acastanhada ou avermelhada que apresente alteração de sensibilidade deve ser considerada hanseníase até que se prove o contrário. Além das lesões cutâneas, a palpação de troncos nervosos (ulnar, radial, fibular comum, tibial posterior) é crucial para identificar neurites e prevenir incapacidades físicas permanentes. O diagnóstico precoce e a poliquimioterapia (PQT) são as bases fundamentais para o controle da endemia e interrupção da cadeia de transmissão na comunidade.
O teste de sensibilidade deve avaliar três modalidades: térmica (geralmente a primeira a ser perdida), dolorosa e tátil. Utilizam-se tubos de ensaio com água quente e fria, ponta de agulha descartável e o estesiômetro (monofilamentos de Semmes-Weinstein) ou algodão para testar a percepção do paciente na área da lesão, sempre comparando com uma área de pele sã para controle.
Segundo a OMS e o Ministério da Saúde, os sinais cardinais são: 1. Lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade; 2. Espessamento ou dor em nervos periféricos com alteração sensitiva ou motora; 3. Baciloscopia positiva (embora a baciloscopia negativa não exclua o diagnóstico). A presença de qualquer um desses sinais de forma isolada já autoriza o início do tratamento específico.
O aumento no número de casos novos após a implantação de um programa de controle geralmente reflete um aumento na detecção de 'casos reprimidos' através de vigilância ativa e treinamento de profissionais, e não necessariamente um aumento real na transmissão. Isso demonstra a eficácia do programa em identificar pacientes que estavam sem diagnóstico e tratamento na comunidade.
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