Secreção Mamilar Sanguinolenta: Conduta Diagnóstica Essencial

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente com 37 anos de idade com queixa de saída de secreção avermelhada pelo mamilo esquerdo há 2 meses. Refere que o fluxo é espontâneo. Ao exame, as mamas são simétricas, sem abaulamento ou retração e sem nódulos palpáveis. À expressão mamilar notamos um fluxo papilar (ver imagem). Foi realizado ultrassonografia e mamografia com BIRADS® 1. Qual a conduta mais adequada para a elucidação diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Coleta de citologia do fluido papilar.
  2. B) Biópsia cirúrgica da unidade mamária.
  3. C) Realizar ductografia mamária.
  4. D) Realizar ressonância magnética.

Pérola Clínica

Secreção mamilar sanguinolenta espontânea, unilateral, uniductal → biópsia cirúrgica para excluir malignidade.

Resumo-Chave

Secreção mamilar sanguinolenta, espontânea e uniductal, mesmo com exames de imagem (USG e mamografia) BIRADS 1, é um sinal de alerta para malignidade (até 15-20% dos casos) e requer investigação histopatológica. A biópsia cirúrgica (ductectomia ou excisão do ducto principal) é a conduta mais adequada para elucidação diagnóstica.

Contexto Educacional

A secreção mamilar é uma queixa comum na ginecologia e mastologia, e sua avaliação requer atenção especial, especialmente quando é sanguinolenta. Para o residente, é vital discernir os tipos de secreção e a conduta apropriada. Uma secreção avermelhada, espontânea, unilateral e uniductal, como no caso apresentado, é considerada patológica e um sinal de alerta, mesmo com exames de imagem (ultrassonografia e mamografia) classificados como BIRADS 1. A fisiopatologia da secreção sanguinolenta geralmente envolve lesões intraductais, sendo as mais comuns o papiloma intraductal (benigno) e o carcinoma intraductal (maligno). A citologia do fluido papilar, embora possa ser realizada, tem baixa sensibilidade e especificidade para essas lesões e não é suficiente para excluir malignidade. A ductografia pode localizar a lesão, mas não fornece diagnóstico histopatológico. A conduta mais adequada para a elucidação diagnóstica é a biópsia cirúrgica, que geralmente consiste em uma ductectomia (excisão do ducto principal ou do ducto afetado). Este procedimento permite a análise histopatológica da lesão responsável pela secreção, fornecendo um diagnóstico definitivo e orientando o tratamento subsequente, seja ele conservador ou oncológico. A ressonância magnética pode ser útil em casos selecionados, mas não substitui a biopatologia.

Perguntas Frequentes

Quando uma secreção mamilar sanguinolenta é preocupante?

A secreção mamilar sanguinolenta é preocupante quando é espontânea, unilateral, uniductal e persistente, mesmo na ausência de massas palpáveis ou alterações nos exames de imagem, pois pode indicar lesões intraductais benignas (papiloma) ou malignas (carcinoma).

Qual a importância da biópsia cirúrgica na secreção mamilar sanguinolenta?

A biópsia cirúrgica, geralmente uma ductectomia ou excisão do ducto principal, é crucial para obter um diagnóstico histopatológico definitivo. Ela permite identificar a causa da secreção, que pode ser um papiloma intraductal (benigno) ou um carcinoma intraductal (maligno), e guiar o tratamento adequado.

Por que a citologia do fluido papilar não é suficiente para o diagnóstico?

A citologia do fluido papilar possui baixa sensibilidade e especificidade para detectar lesões intraductais, especialmente papilomas e carcinomas iniciais. Ela pode fornecer resultados falso-negativos e, portanto, não substitui a necessidade de avaliação histopatológica em casos de secreção sanguinolenta suspeita.

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